Início FINANÇAS Visões paralelas? “Gringos” compram, locais vendem ações na B3; BBI vê oportunidade

Visões paralelas? “Gringos” compram, locais vendem ações na B3; BBI vê oportunidade


As divergências continuam? O Bradesco BBI aponta para uma forte diferença de comportamento entre investidores estrangeiros e brasileiros, criando o que o banco chama de “realidades paralelas” nos mercados não só no Brasil, mas também no Chile na região da América Latina.

Enquanto estrangeiros ampliam exposição e enxergam a região como refúgio relativo em meio à volatilidade global, investidores locais seguem vendendo e elevando posições em caixa, avalia a equipe de estratégia do Bradesco BBI.

Segundo os estrategistas, estrangeiros têm comprado a recente correção da Bolsa brasileira, com destaque para fluxos positivos desde o início do conflito no Oriente Médio. A demanda se concentra em ações sensíveis aos juros, empresas de crescimento descontadas — como Nu (BDR: ROXO34), preferido em relação ao Mercado Livre (BDR: MELI34) — e nomes defensivos dos setores financeiro e de commodities. O foco também inclui oportunidades ligadas ao ciclo eleitoral, como utilities, shoppings e concessões.

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Do outro lado, investidores locais reforçam vendas diante do que chamam de “efeito Doppler”: possíveis impactos de preços mais altos do petróleo sobre a inflação, receios de um ciclo doméstico de cortes mais curto e a perspectiva de juros mais altos no exterior, o que poderia fortalecer o dólar e reduzir fluxos para emergentes. A saída de recursos locais, que somou R$ 60 bilhões em 2025, permanece como ponto de cautela.

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Apesar do pessimismo doméstico, o Bradesco BBI avalia que o Brasil segue como beneficiário líquido do choque do petróleo, com vantagem fiscal e macroeconômica. O banco destaca ainda que, mesmo com a reprecificação da curva, o ciclo de juros continua muito mais favorável do que nos Estados Unidos e na Europa, onde o mercado já volta a precificar altas.

Já o Chile é apontado como a melhor relação risco-retorno, após a queda recente e com valuation e câmbio considerados atrativos. O México aparece como um mercado de oportunidades selecionadas, à espera de avanços no USMCA e de uma recuperação econômica mais clara. A Argentina, embora desperte interesse, segue marcada por “frustração” com o desempenho das ações no ano.

Para o banco, a combinação de fluxo estrangeiro resiliente, sensibilidade positiva ao petróleo e melhora da percepção política cria um ponto de entrada atrativo para Brasil e Chile, mesmo com a maior volatilidade global.

Assim, o BBI segue vendo oportunidades no Brasil (e no Chile) com o ciclo de taxas de juros relativamente inalterado e a flexibilidade política se tornando positiva, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os dois países dentro de América Latina.

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Para a equipe, a “grande rotação” que beneficia o Brasil está em declínio, mas não totalmente eliminada: “o Brasil é um duplo ganhador macroeconômico e de mercado líquido devido à alta do petróleo, seu ciclo de queda de juros, o mais alto do mundo, teve início e a flexibilidade política agora se inverteu”, aponta. A vulnerabilidade do Chile à “venda de petróleo” oferece uma segunda oportunidade para investir no mercado com a melhor relação risco/retorno da América Latina.

O banco ressalta ainda que o Brasil é um consenso entre os investidores estrangeiros que buscam uma exposição relativa maior dentro da região, mas o posicionamento é defensivo e focado no setor financeiro.

“A maioria dos investidores em mercados emergentes relatou ter visto entradas de capital e está buscando aumentar, e não reduzir, o risco, em ativos sensíveis a taxas de juros e ações de crescimento desvalorizadas. As preocupações com o Brasil se concentram nos impactos dos preços mais altos do petróleo sobre a inflação e as contas fiscais, e o quanto isso poderia prejudicar o ciclo de cortes de juros. Embora um ciclo absoluto mais curto seja possível e esteja sendo precificado, a atratividade relativa permanece inalterada”, aponta o banco.

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