Março foi o pior mês para os multimercados desde a pandemia, com o IHFA, índice da classe, recuando 3,42% e 71% dos maiores fundos no negativo. Abril reverteu o quadro: um cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, balanços robustos das empresas americanas de tecnologia e um real resiliente devolveram os ganhos às carteiras que mantiveram as apostas intactas, com retornos de até quatro vezes o CDI entre os principais fundos macro.
A recuperação, porém, veio acompanhada de cautela. O cessar-fogo não resultou na reabertura do Estreito de Ormuz e o petróleo voltou a subir. “O cenário permanece binário”, resumiu a Legacy Capital em sua carta mensal. Para a Ibiuna, “os próximos trinta dias serão cruciais ao desenho de cenários para o resto do ano.”
Em período no qual o CDI entregou 1,09%, o Genoa Arpa liderou com alta de 4,01%, ou 368% do benchmark; seguido pelo Opportunity Evolution, com 3,30%, e pelo Kapitalo K10, com 3,12%. O Verde registrou 2,71%, a Legacy Capital 2,54%, o Itaú Janeiro 1,79%, a Ibiuna Hedge 1,68%, o Genoa Radar 1,65%, e Kinea Apolo, Bahia AM Maraú e ARX Macro encerraram com 1,60%, 0,83% e 0,45%, respectivamente, todos acima de um CDI de 1,09%. O Adam Macro II registrou 14,42%, resultado que reflete a alavancagem maior do fundo.
Mas muitos investidores perderam a virada. Em abril, os multimercados registraram resgates líquidos de R$ 5,4 bilhões, mês em que a indústria acumulou saídas de R$ 18,1 bilhões, puxadas pela fuga do crédito privado.
Confira as quatro principais apostas dos multimercados para este mês de maio.
1. Comprados no real
A compra do real é a posição mais consensual entre as carteiras. O Brasil reúne três atributos raros neste momento: exporta petróleo líquido, tem juros reais entre os mais altos do mundo e está distante do conflito.
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A Bahia Asset, a Ibiuna, a Kinea e a Kapitalo seguem compradas no real ou em moedas de países exportadores de commodities, vendendo euro e moedas asiáticas mais expostas ao choque energético. O fluxo estrangeiro para o Brasil permanece relevante, motivado pelo diferencial de juros, avaliou a JGP.
2. Tecnologia e volta ao topo
A exposição a ações americanas de tecnologia foi o principal diferencial de retorno em abril e segue como a maior convicção das gestoras. “A inteligência artificial representa a maior revolução industrial da história humana”, escreveu a Adam Capital, argumentando que o mercado subestima o caráter exponencial dos investimentos no setor.
A JGP reforça, apontando que as revisões de lucro nas empresas do setor têm sido marcantes e consistentes. A Genoa segue comprada em semicondutores e industriais americanos, enquanto a Kapitalo combina a compra de tecnologia com venda no índice de small caps, apostando que os ganhos do ciclo de inteligência artificial se concentram nas empresas maiores.
3. Petróleo como proteção
A estabilidade dos preços em abril foi temporária, avaliou a Kapitalo: resultado do uso das reservas estratégicas, da sazonalidade negativa do segundo trimestre, quando refinarias param para manutenção, e da esperança de solução diplomática. Com o fim dessas manutenções, “os preços de petróleo cru deveriam voltar a subir”, concluiu a gestora, descrevendo a situação como “insustentável caso o Estreito continue fechado.”
A Verde chegou ao mesmo ponto por outro caminho: “em meados de junho podemos entrar numa fase mais aguda de necessidade de destruição de demanda”, alertou a gestora, que voltou a montar posições compradas via opções.
O Copom cortou a Selic para 14,50% em abril com tom mais cauteloso, e o mercado revisou as expectativas para um ciclo mais curto. O BCB opera com um viés de “acomodação por esperança”, reagindo menos aos desvios de inflação do que em ciclos anteriores, concluiu a Adam Capital, o que aumenta o risco de ter de subir juros mais à frente.
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Kapitalo, Bahia Asset e a Opportunity seguem aplicadas em juros locais, enquanto a TAG defende sobrepeso em NTN-B 2035 como hedge contra a expansão fiscal pré-eleitoral. Uma resolução em Ormuz abriria espaço para capturar os prêmios que a JGP enxerga na parte longa da curva, com a narrativa eleitoral ganhando protagonismo a menos de seis meses das presidenciais.





