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8 de Janeiro vira trampolim eleitoral para parentes, advogados e golpistas – CartaCapital


A eleição de 2026 leva para as urnas uma parcela da militância formada em torno dos atos golpistas do 8 de Janeiro e seu posterior desenrolar judicial. Parentes de condenados, advogados e pessoas que participaram diretamente do quebra-quebra disputam vagas no Legislativo com a anistia dos golpistas como principal bandeira.

O movimento não se restringe à família Bolsonaro. Há candidatos em diferentes estados e partidos que transformaram a defesa dos envolvidos, a revisão das penas e os ataques ao Supremo Tribunal Federal em parte central de suas campanhas.

Entre os advogados estão Jeffrey Chiquini, candidato a deputado federal pelo Novo no Paraná, que defendeu Filipe Martins no processo da trama golpista; Sebastião Coelho, que também atuou na defesa de Martins e disputa o Senado pelo Novo no Distrito Federal; e Carolina Siebra, candidata a deputada federal pelo Novo no Ceará e representante da Associação de Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro. 

Matheus Mayer Milanez, advogado do general Augusto Heleno no STF, é um caso à parte. Ele havia sido lançado candidato a deputado federal pelo Republicanos no DF, mas renunciou à disputa em 14 de agosto, após acusações de violência doméstica feitas pela ex-companheira. Milanez nega as acusações. 

A relação familiar também é usada como capital eleitoral. Cláudia Rodrigues, irmã de Débora Rodrigues, a “Débora do Batom”, concorre a deputada federal pelo Novo em São Paulo. Sua campanha tem como uma das principais bandeiras a defesa da irmã, condenada a 14 anos de prisão pelo STF.

No Distrito Federal, Mariana Naime concorre a deputada federal pelo PL. Ela é mulher do coronel da Polícia Militar Jorge Eduardo Naime, condenado por omissão relacionada aos ataques. Também no DF, Luíza Cunha, filha de Cleriston Pereira da Cunha, o “Clezão”, disputa uma vaga de deputada distrital pelo PL. Clezão morreu enquanto estava preso na Papuda, em novembro de 2023.

‘Luiza do Clezão’, candidata a deputada distrital e filha do golpista Cleriston Pereira da Cunha, morto em novembro de 2023. Foto: Reprodução Instagram

Há ainda candidatos que estiveram diretamente envolvidos nos ataques. Gennaro Vela Neto, que ficou preso por 70 dias e fez acordo de não persecução penal, concorre a deputado federal pelo Podemos no Paraná. Marcos Vanucci disputa uma vaga de deputado federal pelo PL em São Paulo. Henrique Fernandes de Oliveira, o “Sargento Fernandes”, concorre a deputado estadual pelo Republicanos em São Paulo. Vanderson Alves Nunes, o “Vandinho Patriota”, disputa uma vaga de deputado estadual pelo Novo em Mato Grosso. Regina Tio Ivo concorre ao Senado pelo Novo em Roraima. Thiago Nunes dos Santos Souza disputa uma vaga de deputado federal pelo Democrata no Rio de Janeiro. Rogério Souza Lima, o “Roger Galetos”, concorre a deputado federal pelo PL na Bahia.

A situação desses candidatos não é exatamente a mesma dos condenados pela trama golpista que ficaram inelegíveis. A Lei da Ficha Limpa prevê hipóteses específicas de inelegibilidade, e ser investigado, réu ou responder a um processo não impede, por si só, uma candidatura. Em determinadas situações, a inelegibilidade pode ocorrer após condenação por um órgão colegiado, mesmo que ainda haja possibilidade de recurso. Por isso, a ligação com o 8 de Janeiro, isoladamente, não impede que esses nomes disputem as eleições.

A anistia como bandeira presidencial

A pauta que mobiliza esses candidatos também chegou ao centro da corrida pelo Planalto. E os candidatos à direita têm defendido formas diferentes de anistia em declarações recentes.

Renan Santos (Missão) apresentou uma alternativa em 4 de agosto. Ele defendeu a revisão das penas por meio da dosimetria, mas rejeitou anistia e indulto. “Quem cometeu crime tem de ser punido, mas com um julgamento justo”, afirmou durante sabatina promovida pelo grupo G4 e o site O Antagonista

Ronaldo Caiado (PSD) prometeu, em 7 de agosto, durante sabatina da GloboNews e do g1, enviar ao Congresso um projeto de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro no primeiro dia de eventual governo. Disse que a medida serviria para “pacificar o País” e tirar o tema do debate político. 

Augusto Cury (Avante) tem sido mais cauteloso. Em 18 de agosto, na sabatina do SBT News, disse que não se comprometeria previamente com uma anistia e que, se eleito, analisaria as condenações individualmente com uma equipe de juristas. Admitiu, porém, considerar algumas penas desproporcionais. 

Romeu Zema (Novo) defendeu, em 19 de agosto, o indulto a Jair Bolsonaro. Em sabatina promovida pelo SBT News, afirmou que o julgamento do ex-presidente foi conduzido por um tribunal “político” e defendeu que o processo fosse refeito. Também disse que o 8 de Janeiro não configurou uma tentativa de golpe, mas vandalismo. “Teve tiro? Teve derramamento de sangue? Não vi”, afirmou Zema. 

Flávio Bolsonaro (PL) adota uma posição mais explícita. Em 22 de agosto, durante um ato no Rio, pediu votos para candidatos do partido ao Senado e disse que precisará de uma bancada aliada para aprovar uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos no 8 de Janeiro e para “libertar Jair Messias Bolsonaro”. 



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