SÃO PAULO, 26 Fev (Reuters) – O Ibovespa voltou a orbitar os 192 mil pontos, mas fechou com um recuo modesto nesta quinta-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Vale (VALE3), em pregão com noticiário corporativo sob os holofotes, incluindo o resultado acima do esperado da Marcopolo (POMO4), que fez a ação avançar mais de 5%.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa (IBOV) recuou 0,13%, a 191.005,02 pontos, após marcar 191.977,51 pontos na máxima e 188.976,57 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 29,47 bilhões.
Para o analista de investimentos Alison Correia, cofundador da Dom Investimentos, a bolsa teve um dia de correção no penúltimo dia útil de fevereiro, influenciado principalmente pelo movimento de commodities.
Viva do lucro de grandes empresas
Apesar do declínio na sessão, o Ibovespa ainda caminha para mais um desempenho mensal positivo, com alta de 5,32% em fevereiro até o momento, mais uma vez endossado pelo fluxo de estrangeiros, com o saldo no mês positivo em R$ 14,4 bilhões até o dia 24, segundo os dados da B3.
Wall Street corroborou o ajuste negativo no pregão brasileiro no dia, com o S&P 500 (SPX), uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechando em queda de 0,54%. A Nvidia trouxe números fortes, mas não empolgou, com alguns investidores céticos sobre as previsões de vendas da empresa.
DESTAQUES
VALE ON (VALE3) recuou 0,84%, em pregão de ajustes, após cinco altas seguidas, período em que acumulou valorização de mais de 7%. No pior momento do dia, porém, a ação caiu mais de 3%. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado em Dalian encerrou o dia estável.
PETROBRAS PN (PETR4) fechou em alta de 0,1%, revertendo o sinal negativo visto em boa parte da sessão, marcada por volatilidade dos preços do petróleo no exterior. Investidores também acompanharam noticiário envolvendo a estatal e a Raízen. No exterior, o Brent (LCOc1) caiu 0,14%.
ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) cedeu 0,25%, distante das mínimas da sessão, enquanto BRADESCO PN (BBDC4) caiu 0,9% e BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) recuou 1,09%. Na contramão, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) subiu 0,15% e BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) avançou 0,39%.
NUBANK (NU), listada nos Estados Unidos, recuou 9,55%, mesmo após divulgar aumento de 50% no lucro líquido do quarto trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, para US$ 894,8 milhões. Analistas destacaram negativamente o custo do risco e as despesas operacionais.
AXIA ON (AXIA3) avançou 1,43%, atenuando a pressão negativa sobre o Ibovespa, em dia positivo no setor e tendo no radar a divulgação do balanço do quarto trimestre após o fechamento do mercado. O índice do setor elétrico na B3 (IEE) fechou com elevação de 1,2%.
EMBRAER ON (EMBR3) subiu 2,03%, também atuando como contrapeso ao viés negativo, em dia de recuperação. No mês, porém, ainda acumula declínio de 2,67%.
MARCOPOLO ON (POMO4) avançou 5,56%, após resultado acima do esperado no quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 341,7 milhões. A administração antecipou desempenho morno nas entregas domésticas no primeiro trimestre e recuperação mais forte apenas no segundo semestre.
REDE D’OR ON (RDOR3) perdeu 4,53% um dia após balanço. Na visão do BTG Pactual, as expectativas estavam altas demais. A administração sinalizou começo de ano forte e espaço de melhora na margem hospitalar. No setor de saúde, HAPVIDA ON (HAPV3), que renovou mínimas históricas no início da semana, subiu 4,78%.
WEG ON (WEGE3) caiu 1,79%, com executivos estimando em teleconferência com analistas que a margem de lucros em 2026 deve ficar dentro da média dos últimos três anos, ao redor de 22%, enquanto a expectativa inicial de crescimento de receita de dígitos baixos pode não se concretizar.
COPASA ON (CSMG3) recuou 2,68%, após divulgar lucro líquido de R$ 337 milhões no quarto trimestre. Em meio às expectativas sobre a potencial privatização da companhia de saneamento, o CEO afirmou que a Copasa está em fase final de trâmites para contrato com Belo Horizonte.




