Comprar um ativo no ápice da euforia do mercado e vê-lo derreter nos meses seguintes é um dos maiores testes de resiliência para qualquer investidor. Para quem entrou no mercado de criptomoedas durante a máxima histórica do Bitcoin (BTC), em outubro de 2025, o cenário atual exige estômago.
Um levantamento feito pela equipe de research do Mercado Bitcoin mostra o tamanho desse impacto no bolso: um aporte hipotético de R$ 10.000 feito no topo histórico da moeda digital encolheu significativamente até a última sexta-feira (24), para R$ 6.230, o que representa uma perda de R$ 3.370.
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Com o Bitcoin caindo cerca de 2,5% nesta segunda-feira (27), o investidor pode temer absorver mais perdas na carteira cripto. Apesar do susto natural ao ver a carteira no vermelho, especialistas apontam que o momento atual mistura um padrão de correção cíclica com uma forte retomada de fluxo institucional no mercado à vista – no último mês, o Bitcoin subiu mais de 15%.
Histórico joga a favor do Bitcoin
A queda desde o topo de 2025 assusta, mas a história do Bitcoin mostra que fortes correções são o rito de passagem para novas máximas, afirma o Mercado Bitcoin. Rony Szuster, Head de Reserach da exchange, aponta que, historicamente, as fases de baixa do ativo costumam durar de 12 a 13 meses. Seguindo esse padrão à risca, o período de turbulência e lateralização poderia se estender até novembro deste ano.
Contudo, manter a posição durante as quedas costuma recompensar quem tem visão de longo prazo. Segundo levantamento do MB, em média, seis meses após fortes quedas, o Bitcoin apresenta uma valorização de 25,8%. Após 12 meses, a recuperação média é de 37,2%.
“Manter as criptos em fases turbulentas é justamente a maneira de se construir os ganhos de longo prazo”, ressalta Szuster, ponderando que os dados refletem estatísticas passadas e não regras imutáveis.
Demanda real puxa o mercado
Enquanto o investidor de varejo que comprou no topo ainda se recupera, os indicadores de curto prazo mostram melhora no humor geral. Gil Herrera, diretor de estratégia e operações na Bitget LATAM, destaca que o Índice de Medo e Ganância do Bitcoin abandonou a zona de pânico das últimas semanas. O indicador saiu da faixa de 25 a 30 em meados de abril – quando em zero, o índice indica medo extremo – para o nível de 50 a 60, marcando a pontuação mais alta dos últimos três meses.
“Os ETFs de Bitcoin à vista registraram entradas líquidas diárias acima de US$ 400 milhões nas sessões recentes, e as entradas semanais ultrapassaram US$ 1 bilhão”, detalha Herrera, destacando que a volta do investidor institucional tem sido o motor da recuperação.
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O executivo da Bitget destaca um dado que considera fundamental na recuperação rumo aos US$ 80 mil: o mercado futuro na Bolsa de Chicago (CME) viu o número de contratos em aberto despencar para cerca de US$ 8,4 bilhões, o menor patamar em 14 meses.
Ele explica que as liquidações recentes varreram mais de US$ 300 milhões em posições vendidas do mercado, enquanto as taxas de financiamento continuam estáveis. “Isso sugere que a recuperação não está sendo impulsionada por posições compradas alavancadas agressivas, o que dá ao movimento atual uma base mais sólida do que recuperações anteriores sustentadas pela expansão de derivativos”.
O que fazer agora?
Para o investidor comum que observa os grandes fundos comprarem milhares de Bitcoins enquanto sua própria carteira ainda está negativa, a melhor estratégia não é tentar adivinhar o fundo do poço ou o próximo topo histórico.
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A recomendação do research do Mercado Bitcoin para navegar em qualquer fase (de alta ou de baixa) é fracionar as compras.
“Em vez de investir tudo de uma vez, prefira entrar aos poucos, com aportes pequenos e regulares. Isso reduz a pressão de acertar o momento perfeito e traz mais tranquilidade”, aconselha Rony Szuster. Ao adotar esse método, o investidor constrói um preço médio saudável ao longo do tempo, transformando os meses de queda em uma janela de oportunidade para o próximo grande ciclo.





