O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira 19, durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, que o governo federal vai agir para impedir que os efeitos da guerra no Irã sejam repassados ao custo de vida da população brasileira. Em discurso a prefeitos, ele criticou a alta recente dos combustíveis, apontou abusos no mercado e cobrou uma atuação mais firme do Conselho de Segurança da ONU para conter o conflito.
“A gente não vai permitir que a guerra do Irã traga prejuízo para o povo brasileiro. A gente não vai permitir que o alface, que o feijão, que a carne suba por conta da guerra do Irã”, afirmou o presidente.
Lula disse que o governo chegou a estudar medidas para conter os preços, incluindo propostas de subsídio às importações, mas que, ainda assim, houve aumento nas bombas.
Ao criticar os reajustes, o presidente afirmou que os aumentos não se justificam apenas pelo cenário internacional. “Não aumentou apenas o preço do diesel, aumentou o preço do álcool que não tem nada a ver com a guerra do Irã. Aumentou o preço da gasolina que ainda não tinha porquê aumentar”, disse.
Lula atribuiu a elevação dos preços a práticas abusivas no mercado. “Significa que nesse País tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe, até com o sofrimento dos pobres”, afirmou. Ele acrescentou que o governo mobilizou órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Procons para investigar aumentos considerados indevidos.
Críticas à ONU
No plano internacional, Lula fez críticas diretas à condução dos conflitos e à atuação das principais potências globais. Ele relatou ter conversado com chefes de Estado e cobrou uma resposta do Conselho de Segurança da ONU.
Para o presidente, os países com poder de decisão deveriam atuar para evitar conflitos, e não apenas reagir a eles. “Esses cinco senhores [EUA, Rússia, China, França e Reino Unido] deveriam se reunir para não permitir guerra”, afirmou.
Lula também criticou os gastos globais com armamentos, em contraste com a situação social no mundo. “Nós temos milhões de pessoas passando fome […] e esses homens gastaram 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em guerra no ano passado”, disse, ao afirmar que há perda de “senso de responsabilidade” na política internacional.
O discurso foi feito no Expo Center Norte, durante a abertura da Caravana Federativa, evento que reúne representantes de mais de 30 ministérios e busca aproximar o governo federal de estados e municípios, com oferta de serviços, orientação técnica e anúncios de investimentos em áreas como saúde, habitação e infraestrutura.




