Entre os destaques entre mercados emergentes em 2026, Brasil e Coreia do Sul podem parecer histórias semelhantes à primeira vista — ambos superaram o índice MSCI EM no ano —, mas o motor de cada rali segue caminhos opostos. Para o Bradesco BBI, essa diferença não cria um dilema entre “um ou outro”, e sim uma oportunidade de composição: os dois países se complementam em vez de competir.
Segundo o relatório “Brazil vs South Korea: An ‘AND’, Not an ‘OR’”, o Brasil se beneficia de carrego elevado, valuations descontados e sensibilidade ao ciclo doméstico, enquanto a Coreia do Sul conta com uma forte onda de revisões de lucros liderada pelo setor de tecnologia, especialmente semicondutores impulsionados pela demanda global por inteligência artificial.
Motores distintos
No Brasil, a alta de 2026 está ancorada em fluxo estrangeiro robusto, quedas na curva de juros e um ciclo político que abre espaço para reprecificação de risco. Investidores locais, porém, permanecem vendedores. Já na Coreia, o padrão é inverso: estrangeiros reduziram posição, enquanto investidores domésticos sustentaram o mercado.
O BBI também destaca diferenças estruturais profundas. A economia brasileira é mais fechada e dependente de serviços e commodities, enquanto a coreana é altamente integrada ao comércio global e depende de exportações industriais — que equivalem a 45% do PIB. Isso torna o Brasil mais sensível a juros e política fiscal, e a Coreia mais exposta ao ciclo global de capex e à demanda por tecnologia.
O risco fiscal brasileiro se concentra no setor público, onde a dívida supera 90% do PIB e os juros reais seguem entre os mais altos do mundo. Na Coreia, a vulnerabilidade está no setor privado, com empresas e famílias altamente endividadas — especialmente via hipotecas.
Além disso, enquanto o MSCI Brazil é relativamente diversificado, com peso relevante de bancos, commodities e utilities, o MSCI Korea é extremamente concentrado: Samsung Electronics e SK Hynix representam mais de 50% do índice. O boom de lucros dessas companhias impulsionou a forte valorização coreana em 2025 e 2026.
Continua depois da publicidade
No Brasil, revisões de lucros recentes foram puxadas pelo setor de petróleo, beneficiado pelo choque geopolítico envolvendo EUA, Israel e Irã, que elevou preços de commodities energéticas. Já a Coreia do Sul registrou um dos maiores ciclos de upgrades globais graças ao salto nas exportações de chips de memória.
Valuation e estratégia
Ambos os mercados negociam com desconto frente a emergentes, mas por razões diferentes: no Brasil, por causa do carrego alto e risco fiscal; na Coreia, devido ao impacto mecânico das revisões de lucros que comprimiram múltiplos.
A recomendação do BBI para investidores é combinar as duas exposições em uma estratégia de barbell (formato de alocação de ativos que visa mesclar produtos de baixo risco com outros de alto risco): Brasil para capturar valor, dividendos e opcionalidade doméstica e Coreia do Sul para participar do ciclo global de tecnologia e da recuperação do setor de semicondutores.
O relatório mantém o Brasil como top pick na América Latina e reforça que os fatores que impulsionam os dois mercados são suficientemente diferentes para que os ativos funcionem melhor juntos do que separados.





