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Cenário que sustenta ânimo com Bolsa brasileira não mudou, só perdeu força, diz Ágora


O movimento dos investidores estrangeiros continua sendo o principal termômetro da Bolsa brasileira em meio à recente piora do ambiente global, segundo relatório da Ágora Investimentos. Na avaliação dos estrategistas, a narrativa que sustentava o otimismo com ativos locais “não mudou — apenas perdeu força”.

Desde o início dos conflitos no Oriente Médio, o saldo estrangeiro na B3 permanece positivo, somando R$ 8,01 bilhões, embora o ritmo tenha diminuído para R$ 449 milhões por dia, ante mais de R$ 1 bilhão diários antes do início das tensões.

A percepção entre gestores internacionais segue relativamente construtiva. Para eles, o Brasil aparece como duplo beneficiário em um cenário marcado por petróleo mais caro e expectativa de queda de juros — ainda que o ciclo de cortes deva ser menor que o previsto.

A dúvida recai sobre o impacto da pressão inflacionária, especialmente em alimentos, e sobre o limite da flexibilização monetária diante da volatilidade global.

O posicionamento dos estrangeiros permanece concentrado em bancos, commodities específicas – com Petrobras (PETR3;PETR4) vista como “posição fundamental” – e ações defensivas domésticas. Há, contudo, espaço para ampliar risco em segmentos como construtoras, shoppings, utilities e ações de crescimento, com Nubank (BDR: ROXO34) preferido em relação ao Mercado Livre (BDR: MELI34).

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A recente queda das ações das duas empresas é atribuída pela Ágora sobretudo a fatores técnicos – como rotação para fora de tecnologia, temores infundados sobre Inteligência Artificial e ausência nos principais índices globais – e não a deterioração de fundamentos. Para a casa, o movimento abre oportunidade de médio prazo, já que as estimativas de lucro seguem em alta, especialmente no caso do Nubank.

Para o investidor local, o comportamento é oposto: os fundos domésticos ampliaram a posição em caixa e já venderam R$ 6,4 bilhões desde o início da guerra. A cautela reflete receios com a alta do petróleo, impacto na inflação e possível interrupção do ciclo de cortes da Selic, além de preocupações fiscais reacendidas após a breve paralisação dos caminhoneiros. O ciclo eleitoral, por ora, pesa menos na tomada de decisão local do que entre investidores estrangeiros.

Apesar da cautela no curto prazo, a Ágora avalia que choques geopolíticos tendem a ser absorvidos pelos mercados, abrindo espaço para ajustes de preços. A corretora afirma ver a fraqueza recente como oportunidade para quem busca aumentar exposição em renda variável.



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