A valorização do petróleo impulsiona o Ibovespa nesta quinta-feira (9), levando o benchmark da Bolsa a novos recordes. O índice opera na contramão da queda da bolsas em Nova York, em nível histórico. Após tombar ontem até 16%, o petróleo retomou alta e já superou a marca de US$ 100 o barril, o WTI, enquanto o Brent foi a US$ 99, refletindo incertezas quanto ao cessar-fogo nos conflitos entre Estados Unidos e Irã.
Às 12h50 (horário de Brasília), o índice subia 1,46%, a 195.002 pontos, e passa a operar por volta dos 195 mil, atingindo novos recordes, depois de também atingir inéditos 194 mil pontos.
Petrobras PN (PETR4) subia cerca de 2,40% e Vale (VALE3) caía 0,63%, na esteira do recuo de 2,53% do minério de ferro em Dalian, na China. O petróleo Brent avançava 4,75%, a US$ 99,24, e o WTI, 8,34%, a US$ 102,25 o barril.
O avanço do petróleo ocorre após Israel abalar a tentativa de trégua ao atacar o Líbano e causar ao menos 200 mortes. Em resposta, o Irã impôs novas restrições no Estreito de Ormuz, reforçando preocupações com a inflação e com a política monetária global. Neste ambiente, após o rali da véspera, as bolsas europeias e norte-americanas caem.
“A Bolsa tem Petrobras, que pesa bastante, que a favorece”, diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. Apesar do avanço do Índice Bovespa, não se pode descartar volatilidade, completa. “Essa palavra pode conduzir o dia. O mercado no exterior está com o pé atrás, em meio a um cessar-fogo frágil”, completa Oliveira, da Blue3.
Ontem, o Ibovespa encerrou em alta de 2,09%, aos 192.201,16 pontos, renovando recordes intradia e de fechamento, motivado pelo anúncio de uma pausa de duas semanas na guerra no Oriente Médio.
Após iniciar a sessão de hoje na mínima aos 192.206,22 pontos, com variação zero, o Índice Bovespa subiu 1,65%, na máxima aos 195.379 pontos.
A maior dúvida sobre o cessar-fogo é em relação à inclusão ou não do Líbano na trégua. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que “navios, aeronaves e pessoal militar permanecerão ao redor do Irã” até que um “acordo real” seja alcançado e cumprido.
Cabe destacar que, mesmo em meio a novas máximas, os grandes bancos globais seguem enxergando o Brasil como um dos principais mercados emergentes para investidores internacionais, neste momento marcado pela redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela retomada gradual do apetite por risco.
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Tanto a Morgan Stanley quanto o JPMorgan destacam o país como uma das apostas relevantes dentro da América Latina e do universo de mercados emergentes, apoiado em fundamentos corporativos, exposição a commodities energéticas e valuation ainda considerado atrativo.
Na avaliação do JPMorgan, o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã reduziu os riscos imediatos de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, o que ajuda a reancorar o cenário base para os mercados emergentes. O banco projeta uma recuperação do índice MSCI Emerging Markets à medida que os riscos de recessão global são reprecificados, o petróleo se estabiliza em patamar elevado e o dólar perde força.
A leitura é reforçada pelo Morgan Stanley, que mantém overweight (exposição acima da média) relevante em ações brasileiras em seu portfólio modelo para a América Latina. O banco destaca que o Brasil concentra algumas das principais posições da carteira, refletindo a avaliação de que o mercado combina empresas líderes, geração de caixa consistente e métricas de retorno acima da média regional.
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Galípolo e dados dos EUA
Em evento sobre a premiação anual do Ranking Top 5 do Focus 2025 do BC nesta manhã em São Paulo, o presidente Gabriel Galípolo disse que a expectativa do mercado é, para a autoridade monetária, como se fosse uma bússola, em especial neste momento de incerteza da economia global.
Nos EUA, foram divulgados o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) e o Produto Interno Bruto (PIB). O PCE subiu 0,4% em fevereiro ante janeiro, acima do esperado (0,3%). Já PIB dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 0,5% no quarto trimestre de 2025 (projeção de alta de 0,7%).
| Como a guerra no Irã afetou o mercado | |||
| Ativo | Preço 27/02 | Preço 09/04 | Variação (%) |
| Petroleo WTI (US$) | 67,02 | 98,95 | 47,64% |
| Petroleo Brent (US$) | 72,48 | 98,10 | 35,35% |
| Ibovespa (pontos) | 188.787 | 192.201 | 1,81% |
| PETR4 (R$) | 39,33 | 46,61 | 18,51% |
| S&P 500 (pontos) | 6.878,88 | 6.782,81 | -1,40% |
| Ultima atualizacao: 09/04/2026 12:51 | |||
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
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