Início NACIONAL Lula troca chefe do INSS com 2,8 mi na fila da aposentadoria

Lula troca chefe do INSS com 2,8 mi na fila da aposentadoria


Gilberto Waller foi demitido depois de reduzir a fila do INSS pela 1ª vez em 9 meses; número caiu de 3,13 milhões em fevereiro para 2,79 milhões em março

O agora ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Gilberto Waller, demitido nesta 2ª feira (13.abr.2026), comandou o órgão no período em que a fila de requerimentos bateu consecutivos recordes. Waller assumiu o cargo em 30 de abril de 2025. A fila melhorou em maio e junho, mas subiu sucessivamente a partir de julho.

O maior patamar registrado foi em fevereiro de 2026, quando havia 3,13 milhões de pedidos pendentes de análise. Em março, o último dado disponível, esse número havia caído 11%, para 2,79 milhões, mas ainda seguia num nível muito elevado na comparação histórica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus ministros prometeram por diversas vezes zerar a fila do INSS, que conta com pedidos de aposentadorias, pensões e benefícios por incapacidade, por maternidade e assistenciais.

Infográfico sobre a fila do INSS durante os governos Lula e Bolsonaro

O recorde da fila do governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), foi em janeiro de 2020, quando 2,03 milhões de pessoas aguardavam análise de seus requerimentos.

Desde que Lula assumiu o governo até março, a fila do INSS acumula 1,71 milhão de pedidos a mais, numa alta de 156,8% nos pedidos na comparação com dezembro de 2022.

Gilberto Waller era pressionado há meses para apresentar uma solução rápida para o problema da fila de requerimentos. O órgão que comandava anunciou recentemente uma força-tarefa e intensificou a divulgação de boletins para explicar a complexidade dessas análises, mas a estratégia não funcionou e ele acabou sendo demitido.

A funcionária de carreira Ana Cristina Viana Silveira assume a presidência no lugar de Waller. Segundo comunicado divulgado pelo governo, ela terá “a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos” do INSS.

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Planalto – 13.abr.2026

Na imagem, o presidente Lula e Ana Cristina Viana Silveira, que assume o comando do INSS

A fila de benefícios previdenciários nas alturas é ruim para o governo porque desgasta a imagem da administração pública, que fica como algoz de pessoas necessitadas. Por outro lado, ajuda a conter (mesmo que de forma momentânea) o avanço das despesas com essa área, que é a mais deficitária da União.

AS PROMESSAS DE LULA

Eis algumas promessas e declarações feitas pelo presidente e por Carlos Lupi (PDT), ex-ministro da Previdência (que pediu demissão em maio de 2025 depois de investigações sobre um esquema de fraudes em aposentadorias):

  • 16.set.2022 (Lula, enquanto candidato) – “É possível fazer [zerar a fila]. Se nós voltarmos, vamos fazer isso porque o mundo digitalizado está muito mais moderno e as pessoas que fizeram a 1ª vez estão todas vivas e muito dispostas a trabalhar”;
  • 1º.dez.2022 (Lula, antes de tomar posse) – “Teremos muito trabalho pela frente [para reduzir a fila do INSS] e temos um compromisso com o povo brasileiro”;
  • 1º.jan.2023 (Lula, em discurso no Congresso) – “Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição”;
  • 24.abr.2023 (Carlos Lupi) – “Não é uma questão simples de resolver. Existem vários tipos de problemas diferentes. […] Tem vários tipos de atendimento. Dessa fila de 1,8 milhão de benefícios, 1 milhão aguardam perícia. Temos 3.500 médicos que estão trabalhando”;
  • 11.jul.2023 (Lula, há 6 meses no Planalto) – “Não há explicação [para o tamanho da fila], a não ser não ter dinheiro para pagar. Se for isso, tem que ser muito verdadeiro com o povo e dizer o porquê dessa fila. Se é falta de funcionário, a gente tem que contratar. Se é falta de competência, a gente tem que trocar quem não tem competência”;
  • 18.out.2023 (Carlos Lupi) – “Ano que vem, espero viver um outro patamar para melhorar ainda mais esse serviço [de concessão de benefícios do INSS];
  • 3.jan.2024 (Carlos Lupi) – “O meu desafio é que ao mesmo tempo que você tem que reduzir a fila, que chegou a mais de 1,8 milhão, você tem também o fluxo, diário e mensal de pedidos iniciais. A fila nunca vai zerar, mas o prazo médio de concessão vai ficar nos 45 dias em dezembro, com certeza”.

Em julho de 2024, os funcionários do INSS entraram em greve. Reivindicavam aumento salarial e melhores condições de trabalho. Ficaram com as atividades parcialmente paralisadas até novembro do mesmo ano, quando fizeram acordo com o Ministério da Gestão e Inovação.



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