Início NACIONAL Crime de responsabilidade do STF “está comprovado”, diz relator da CPI

Crime de responsabilidade do STF “está comprovado”, diz relator da CPI


Leitura do relatório final da CPI do Crime Organizado é adiada para as 14h a pedido do presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES)

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta 3ª feira (14.abr.2026) que há elementos que, na avaliação dele, comprovam crime de responsabilidade envolvendo ao menos 3 ministros do STF: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Além do procurador-geral da República, Paulo Gonet

“Na minha visão, o crime de responsabilidade está comprovado, por isso faço o indiciamento”, disse o senador. Ele afirmou ainda que não houve, até o momento, qualquer manifestação dos ministros do STF ou do procurador-geral da República sobre os pedidos de indiciamento.

O relator informou ainda que a sessão de leitura do relatório final, prevista inicialmente para as 9h, foi adiada para as 14h desta 3ª feira (14.abr.2026). O adiamento da sessão, a pedido do presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-SE), foi feito para que os integrantes da CPI tenham tempo adequado para analisar um documento de mais de 200 páginas. Leia a íntegra do documento (PDF – 6 MB). O texto será votado nesta 3ª feira (14.abr.2026), data do término dos trabalhos do colegiado.

Vieira destacou que a CPI enfrentou restrições ao longo dos trabalhos, incluindo decisões judiciais e limitações de estrutura, mas que, ainda assim, conseguiu concluir um relatório final com base em “provas e evidências” reunidas ao longo da investigação.

O relator afirmou que a escolha pelo crime de responsabilidade é uma decisão técnica e que esse tipo de infração, segundo ele, é de competência do Senado, com padrão de prova distinto do exigido em crimes comuns, que dependeriam de outras instâncias de investigação.

Ele também disse que o relatório aponta a necessidade de novas apurações em outros casos citados na CPI, como o do Banco Master, por considerar que a comissão não teve tempo ou estrutura suficientes para aprofundar todos os elementos levantados.

Questionado sobre o critério para não incluir outros nomes em indiciamentos, como o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, Vieira afirmou que seria necessário um conjunto probatório mais robusto.

“Eu precisaria ter quebras de sigilo mais robustas para identificar o crime de corrupção. Nós temos notícias relevantes. As informações centrais, do ponto de vista de pagamentos, consultorias, advocacia, são feitas no relatório, mas o ato de indiciamento exige uma prova a mais para que a gente possa fazer de forma formal e responsável”, declarou.

INDICIAMENTOS DE MINISTROS

O relator pediu o indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Eis o que ele diz no relatório sobre cada um dos ministros:

  • Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – proferir julgamento quando, por lei, sejam suspeitos na causa; proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro das funções;
  • Gilmar Mendes – proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa;
  • Paulo Gonet – ser patentemente desidioso no cumprimento das atribuições.

O caso Master é um dos eixos centrais do relatório e foi tratado como um dos episódios mais relevantes do trabalho da CPI. “No tocante ao caso Master, considerando-se a alta complexidade e escassez de meios, a opção foi por relatar os fatos identificados, que deverão ser objeto de CPI própria e já são objeto de investigações da Polícia Federal”, diz Vieira.



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