Início FINANÇAS mercado eleva projeções, mas não vê mais “pechincha”; o que fazer?

mercado eleva projeções, mas não vê mais “pechincha”; o que fazer?


Ainda que o Ibovespa tenha se afastado dos 200 mil pontos nas últimas sessões, o índice acumula ganhos de cerca de 19% no acumulado de 2026. Isso levou a diversas revisões para cima dos cenários para o índice no fim do ano, ainda que com análises reforçando que o benchmark da bolsa não é mais uma “pechincha” e que outros investimentos podem se tornar mais atrativos.

O Bank of America foi um dos últimos a fazer revisão para cima no benchmark da Bolsa, que passou de 180 mil pontos para 210 mil pontos, ainda que uma alta de “apenas” 10% em relação ao fechamento da véspera.

O banco observa que as ações brasileiras já não estão baratas e trabalha com múltiplos ligeiramente abaixo dos níveis atuais, incorporando riscos ligados a lucros e à volatilidade eleitoral. As empresas de petróleo responderam por quase um terço da contribuição do índice no ano, e, embora o Ibovespa suba 21% no período, a média das ações avança cerca de 13%.

“As ações brasileiras já não estão baratas em termos de valuation, e nosso múltiplo-alvo está ligeiramente abaixo dos níveis atuais para refletir esse risco para os lucros e a volatilidade eleitoral, que acreditamos que vai se elevar nos próximos meses”, informou o banco.

O JPMorgan, que projetava o Ibovespa aos 190 mil pontos no fim do ano, destacou recentemente que o índice pode ir a 230 mil pontos, uma alta de cerca de 20% frente o fechamento da véspera, mas isso apenas no cenário mais otimista. O banco reconhece que o ambiente tende a se tornar mais desafiador com a proximidade das eleições.

Historicamente, períodos eleitorais costumam elevar a volatilidade, e a expectativa de uma disputa apertada reforça esse risco. Por outro lado, a aceleração do ciclo de afrouxamento monetário pode ajudar a amortecer parte desse movimento, pondera.

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No fim de março, o Safra elevou a projeção para o Ibovespa para 220 mil pontos no fim deste ano (avanço de 15% frente o último fechamento), enquanto o BB Investimentos seguiu com preço-alvo de 205 mil pontos para o índice, um avanço de cerca de 7%.

Assim, as revisões são positivas, mas moderadas, conforme destaca Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, por alguns motivos.

“Há uma questão de valuation. Acredito que a partir de um determinado ponto, o mercado começaria a parecer caro, em termos de múltiplos de negociação vis-a-vis o histórico do próprio mercado brasileiro”, avalia Perri.

Anderson Kuntzler, planejador financeiro e MBA em Finanças pela B7 Business School, avalia que “o mercado reconhece a melhora, mas ainda não vê espaço para euforia”.

As revisões para cima refletem, principalmente, uma melhora mais rápida do que o esperado no cenário doméstico, destaca o especialista. Por outro lado, pontua Kuntzler, essas revisões seguem moderadas porque parte relevante desse movimento já foi incorporada aos preços e o cenário ainda traz riscos importantes. O ambiente externo continua restritivo, com juros elevados por mais tempo nas principais economias, enquanto, no Brasil, as incertezas fiscais seguem no radar.

Outros ativos se sobressaem…

Para Perri, em meio à forte alta recente da Bolsa brasileira e olhando as perspectivas para o mercado, outros ativos se sobressaem. “A renda fixada indexada à inflação, com retornos próximos a IPCA + 7,0%, é uma excelente proxy para ser comparada com os retornos de longo prazo da bolsa. Muitos fundos de ações, inclusive, tem como benchmark a taxa de IPCA + 6,00%”.

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Para investidores moderados, arrojados ou agressivos, aponta, o ideal é uma combinação entre renda fixa não somente CDI e renda variável, com a dosimetria sendo ajustada conforme o perfil de risco, a tolerância à volatilidade e o momento de entrada.

Kuntlzer destaca que a escolha entre CDI e Bolsa passa mais pelo perfil e horizonte do investidor do que por uma disputa direta entre os dois. “O CDI ainda oferece um retorno real elevado, com baixa volatilidade e alta previsibilidade, o que o mantém bastante competitivo, especialmente no curto prazo. A bolsa, por sua vez, tende a ganhar atratividade em um cenário de queda de juros, mas exige maior tolerância a oscilações e uma visão de médio e longo prazo”, avalia.

Assim, o especialista vê mais sentido enxergar o CDI como base de carteira e a bolsa como vetor de crescimento, com alocação gradual e equilibrada.

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De qualquer forma, também ressalta que outros ativos se sobressaem à Bolsa recentemente e esse é um ponto importante do cenário atual. Ele vê a renda fixa ainda com uma relação risco-retorno bastante atrativa, tanto em pós-fixados quanto em títulos indexados à inflação. Além disso, a diversificação internacional segue relevante, com exposição ao dólar funcionando como proteção em momentos de maior incerteza fiscal e geopolítica.

“Mais do que escolher “o melhor ativo”, o momento favorece carteiras equilibradas, com diferentes fontes de retorno”, aponta.

… mas ainda vale entrar na Bolsa

Desta forma, Perri e Kuntlzer veem bons motivos para seguir posicionado em Bolsa, ainda que de forma mais seletiva.

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“Há potencial de valorização e para os perfis corretos ter exposição a boas empresas para o longo prazo acredito que é uma excelente estratégia”, aponta.

Kuntlzer vê também a necessidade de adotar uma abordagem mais estratégica para selecionar ações. “A bolsa brasileira ainda negocia a múltiplos atrativos em termos históricos, e a perspectiva de juros mais baixos tende a beneficiar tanto os resultados das empresas quanto a reprecificação dos ativos ao longo do tempo. Por outro lado, o investidor precisa conviver com volatilidade no curto prazo e um cenário ainda incerto”, avalia.

Assim, aponta que, mais do que acertar o timing, o diferencial está na consistência, com aportes graduais, diversificação e horizonte de longo prazo tendem a gerar melhores resultados.

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“O cenário atual exige mais seletividade. Ganham destaque empresas com balanços sólidos, menor nível de endividamento e boa capacidade de geração de caixa, especialmente em um ambiente que ainda não é de juros estruturalmente baixos”, avalia, também destacando ser importante avaliar a sensibilidade das empresas ao ciclo econômico e às taxas de juros, além da previsibilidade dos resultados e da qualidade da governança.

“Setores mais defensivos ou com receitas recorrentes tendem a oferecer maior proteção, enquanto posições em setores mais cíclicos devem ser mais bem dosadas”, aponta, ressaltar que a seleção ativa tende a ser mais relevante do que simplesmente acompanhar o índice.



FONTE

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