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Por que uma nova guerra agora? O que querem Israel e Irã no conflito


Avaliação é corroborada por outros analistas, que ressaltam que Israel também considerou ataques como “oportunidade” de melhorar a própria imagem e “tirar o foco de Gaza”. É o que afirmam, em consenso, os internacionalistas Denilde Holzhacker e Roberto Uebel, professores de relações internacionais da ESPM, Kai Enno Lehmann, professor do IRI-USP (Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo), e Karina Stange Calandrin, pesquisadora e professora de RI do Ibmec.

Netanyahu estava numa posição interna de negociação, quase perdendo a maioria na coalizão interna que o sustenta [no Parlamento Israelense] e com uma pressão muito forte de grupos mais conservadores para que ele tivesse uma posição mais dura em relação ao Irã, que é a potência militar vista como a maior ameaça a Israel hoje. De outro lado, é também uma forma de tirar o foco de Gaza e das ações israelenses alvos de críticas internacionais. É o que Netanyahu costuma fazer, promover uma ação externa que sabe que vai ter um apoio maior internacional, para abafar outra. Denilde Holzhacker

Os ataques de Israel contra o Irã até aqui parecem ter também uma finalidade política interna para o governo Netanyahu, que é tirar o foco das questões que envolvem a faixa de Gaza, além de demonstrar força internacional e desestabilizar o regime iraniano. Roberto Uebel

O governo israelense estava em crise, com uma possibilidade real de cair. Ao mesmo tempo, havia pressão da extrema direita para o governo Netanyahu punir e bombardear o Irã. Então, em termos de segurar o governo no poder, iniciar esses ataques contra o regime iraniano, que hoje enfrenta muitas dificuldades internas e externas, ajudou. (…) Existia uma oportunidade do ponto de vista israelense e, se quisesse fazer algo contra o Irã, agora seria o momento ideal. Kai Enno Lehmann

Por que agora?! Visto que a discussão sobre o programa nuclear do Irã é antiga, o ataque ter ocorrido nesse momento tem muita relação com o que está acontecendo com a política interna de Israel. O governo israelense já está em guerra na Faixa de Gaza há quase dois anos e isso não tem sido popular internamente. A população de Israel tem se manifestado contra a guerra quase diariamente e o governo Netanyahu têm perdido muito apoio, inclusive de aliados políticos. Karina Stange Calandrin

Não é a primeira vez que Israel tenta alcançar popularidade por meio de ataques bélicos, acrescenta Calandrin. Ela lembra que outro ataque promovido pelo governo israelense para atrair apoio interno ocorreu no ano passado, com os bombardeios que visavam atingir alvos do Hezbollah no Líbano e mataram centenas de pessoas. “A popularidade dele subiu um pouco naquela época e ele está apostando que vai subir de novo agora, para distensionar com os partidos da coalizão e conseguir se manter no poder mais um tempo”, diz a professora do Ibemec, que também é pesquisadora do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional da Unesp.





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