O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) decidiu abandonar a disputa pelo Senado após o avanço das investigações da Polícia Federal sobre aplicações bilionárias do Rioprevidência no Banco Master e a divulgação de mensagens e encontros com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão foi comunicada ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, nesta quinta-feira 28, e encerra uma pré-candidatura que já era tratada como insustentável na própria legenda.
O ex-governador foi alvo de duas operações da PF em menos de duas semanas. Uma relacionada ao grupo Refit, investigado por fraudes tributárias bilionárias, e outra sobre investimentos do fundo previdenciário dos servidores estaduais em ativos ligados ao Banco Master.
Nos bastidores do PL, a avaliação é que a divulgação dos detalhes da relação entre Castro e Vorcaro agravou o desgaste do ex-governador e tornou inviável a manutenção de sua candidatura ao Senado. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que contavam com Castro como peça importante do palanque bolsonarista no Rio de Janeiro, passaram a defender uma substituição após a operação da última terça-feira 26.
A investigação da PF aponta que o Rioprevidência aplicou cerca de 3,69 bilhões de reais em letras financeiras e fundos ligados ao Master. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos também teria investido outros 218 milhões de reais em operações relacionadas ao banco. Os investigadores apuram se houve favorecimento ao banco a partir da relação próxima entre o então governador e Daniel Vorcaro.
Castro afirmou, em vídeo divulgado nesta quinta, que a decisão de deixar a disputa ao Senado foi motivada pela necessidade de concentrar esforços na própria defesa e pela pressão sofrida por sua família após as operações da Polícia Federal. O ex-governador disse que viveu “dias de dor, dias de exposição” e acusou adversários de transformarem “atos corretos” em tentativas de criminalização por meio de “meias-verdades”.
No pronunciamento, Castro afirmou que a retirada da candidatura representa “a decisão mais difícil” de sua trajetória política e sustentou que precisa de tempo para cuidar da defesa técnica nos dois inquéritos em que é investigado. Segundo ele, os advogados já apresentaram manifestações no primeiro caso e devem protocolar uma nova petição nos próximos dias para explicar “qual é o papel do governador” e “os limites da atuação” do cargo.
“Não tenho dúvidas de que a verdade será esclarecida”, afirmou. Castro disse ainda que não pretende abandonar definitivamente a vida pública e classificou a saída da corrida eleitoral como um afastamento “temporário” do pleito de 2026.
Castro e Vorcaro
Segundo a representação da PF, os dois mantinham contato frequente e participaram de encontros em datas próximas aos aportes realizados pelo fundo estadual. Os investigadores afirmam ter identificado ao menos nove reuniões entre Castro e o banqueiro nesse contexto.
Mensagens obtidas pela PF mostram Castro elogiando encontros promovidos por Vorcaro após agendas nos Estados Unidos. Em um dos diálogos, o ex-governador agradece ao banqueiro e afirma ter vivido uma “experiência incrível”. Em outra conversa, Vorcaro orienta Castro sobre pratos de alto valor oferecidos no restaurante novaiorquino, incluindo carnes cobertas com folhas de ouro.
E agora?
A saída de Castro da corrida ao Senado representa mais um revés para o PL no Rio de Janeiro. O ex-governador já estava inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que apontou abuso de poder político e econômico no pleito de 2022. Mesmo assim, o partido mantinha a expectativa de reverter a condenação e aproveitar a influência de Castro em regiões do interior e da Baixada Fluminense.
Agora, dirigentes do PL discutem novos nomes para a disputa ao Senado no estado. Entre os cotados estão os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, além do senador Carlos Portinho.






