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As reações de bolsonaristas e governistas à decisão de Trump sobre PCC e CV – CartaCapital


A direita bolsonarista comemorou a decisão do governo Donald Trump em classificar como organizações terroristas as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, enquanto o governo Lula (PT) tenta definir sua reação. O anúncio da medida partiu do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nesta quinta-feira 28.

Segundo o comunicado, a pasta passou a definir as duas facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e pretende designá-las como “Organizações Terroristas Estrangeiras” a partir de 5 de junho. O Departamento de Estado alega que a decisão demonstra o compromisso da atual gestão de “desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”.

A determinação ocorre dois dias depois do encontro entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na Casa Branca. O pré-candidato à Presidência brasileira afirmou ter solicitado ao republicano a medida contra o PCC o CV.

Logo após o anúncio, Flávio escreveu nas redes sociais: “Grande dia!”. Seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), agradeceu a Trump pela iniciativa. “E a depender de nós, em 2027, o presidente Flávio Bolsonaro vai poder fazer muito, mas muito mais pela segurança pública de todos nós que sofremos nas mãos desses bandidos”, completou.

O empresário e influenciador Paulo Figueiredo também comemorou: “Missão cumprida! Flávio Bolsonaro fez mais pela segurança do povo brasileiro como pré-candidato do que Lula em três mandatos como presidente!”.

Coordenador da campanha presidencial do PL, o senador Rogério Marinho (RN) afirmou considerar que a medida mostra que seu grupo político está ao lado do povo. “O Brasil não aguenta mais viver refém de facções narcoterroristas que dominam territórios, aterrorizam famílias e desafiam o Estado”, escreveu.

“O maior medo de Lula aconteceu”, completou o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) em um publicação no X. Já Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), vereador de Balneário Camboriú (SC), declarou que a medida é uma “vitória” do irmão e do País.

Governo estuda como reagir 

Assessores do governo Lula (PT) afirmam terem sido pegos de surpresa com a decisão. Por isso, pregam cautela na resposta. A avaliação interna é que qualquer reação possa transmitir a impressão de defesa do crime organizado, uma narrativa que já tem sido utilizada pela direita.

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou à TV Globo que o tema de segurança é tema “nacional”, que cooperação internacional é “bem-vinda”, mas que intervenção é “inaceitável”. “Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”, disse.

A bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou uma nota repudiando o que chamou de “articulação da extrema-direita” para “entregar o Brasil a Trump”. “A classificação pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira, como já ocorreu com as tarifas impostas pelos EUA”, diz o texto assinado pelo deputado federal Pedro Uczai (PT-SC).

O vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse que a medida “terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os investimentos estrangeiros, e é um ataque brutal à nossa soberania”.

O mesmo argumento foi usado pelo deputado federal Bohn Gass (PT-RS), para quem “declarar que PCC e Comando Vermelho são terroristas, como dizem que Trump quer fazer, pode criar espaço perigoso para os EUA interferirem na nossa soberania”.

A medida, disse Ivan Valente (PSOL-SP), “é uma enorme farsa já feita em outros países, em que os EUA buscam motivos para justificar intervenções”. “É resultado direto da ação traidora e irresponsável da família Bolsonaro. O governo brasileiro deve reagir com energia”, completou.

“Será que os EUA também vão classificar como terrorista a milícia do Rio de Janeiro ligada aos Bolsonaro?”, questionou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.



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