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Cepeda e De La Espriella vão ao 2º turno na Colômbia – CartaCapital


O candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella disputará a Presidência da Colômbia em um segundo turno contra Iván Cepeda, da esquerda governista, após um primeiro turno apertado realizado neste domingo 31.

Com 99% dos votos apurados, o excêntrico advogado e admirador de Donald Trump venceu com 43,77%, impulsionado por sua proposta linha-dura contra a violência da última década no país.

Em 21 de junho, ele voltará a enfrentar o senador Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, o primeiro político de esquerda a governar a Colômbia, que não podia disputar a reeleição. Apesar de liderar a maioria das pesquisas, Cepeda ficou em segundo lugar, com 40,9% dos votos.

“Estamos nos extremos radicais. Que Deus nos proteja”, disse Gloria Terranova, trabalhadora de uma fazenda de café de 59 anos.

A candidata da direita tradicional, Paloma Valencia, ficou em um distante terceiro lugar, com 6,9%. A senadora, afilhada política do ex-presidente de direita Álvaro Uribe, anunciou seu apoio a De la Espriella para o segundo turno, um respaldo considerado fundamental para seu objetivo de derrotar Cepeda.

Por sua vez, a esquerda tentará ampliar seu apoio entre os eleitores de centro e das classes mais baixas, onde continua muito popular graças aos programas sociais promovidos por Petro.

“Derrotar” Cepeda

De la Espriella votou pela manhã em Barranquilla, a cidade caribenha que considera sua casa, cercado por seguranças com escudos à prova de balas.

“Vamos mudar a história da Colômbia para sempre”, comemorou o advogado após conhecer os resultados. Ele já atuou na defesa de diversas personalidades, entre elas narcotraficantes e estrelas do futebol.

De la Espriella propõe reduzir em 40% o tamanho do Estado para enfrentar a crise fiscal e incentivar o investimento privado.

Também promete extinguir o tribunal criado a partir do acordo de paz e adotar medidas radicais, como a pena de morte ou prisão “dez andares abaixo da terra” para mafiosos.

A campanha ocorreu em um ambiente de polarização e medo, marcado por atentados mortais atribuídos a guerrilhas, o assassinato de um candidato presidencial em 2025 e a recusa dos principais candidatos em participar de debates.

Cepeda e De la Espriella não discutiram suas propostas frente a frente, apesar dos múltiplos convites feitos por universidades e veículos de comunicação.

Os apoiadores do advogado simpatizam com a saudação militar e referências ao patriotismo. Neste domingo, muitos votaram vestindo a camisa da seleção colombiana de futebol.

“Vejo nele um homem decidido, de personalidade (…) A segurança é o que precisamos neste momento”, disse à AFP Kelly Mayorga, vendedora de flores de 43 anos.

Em um evento solitário em Bogotá, Paloma Valencia deu o primeiro passo para a formação de uma frente antiesquerda ao declarar apoio a De la Espriella.

“Continuarei nesta batalha para derrotar Iván Cepeda”, afirmou.

“Frustração”

O resultado deste domingo representa um revés para Cepeda, de 63 anos, que pretendia vencer no primeiro turno obtendo mais da metade dos votos.

“É um resultado surpreendente, um resultado inesperado. As pesquisas sugeriam que seria o contrário”, afirmou Felipe Botero, diretor de Ciência Política e Estudos Globais da Universidade dos Andes.

De la Espriella “coloca Cepeda em dificuldades porque ele contava com a possibilidade de avançar na liderança”, acrescentou.

Filho de um político comunista assassinado por agentes estatais e paramilitares, o senador esquerdista votou em um bairro popular de Bogotá onde cresceu antes de se exilar na antiga Tchecoslováquia, Bulgária e Cuba devido à perseguição sofrida por seu pai.

“Vamos celebrar o segundo governo progressista na Colômbia”, afirmou mais cedo Cepeda, filósofo e defensor dos direitos humanos que costuma estar cercado por indígenas, camponeses e ambientalistas.

Na sede de campanha em Bogotá o clima era de desânimo.

“Sim, é uma frustração”, disse Andrés Alba, funcionário de uma cafeteria de Bogotá, de 42 anos.

Com uma campanha discreta, Cepeda recebeu apoio direto de Petro. O presidente, um ex-guerrilheiro que assinou a paz em 1990, foi o grande protagonista da campanha após um governo disruptivo, durante o qual entrou em conflito com o Congresso, os tribunais, a Procuradoria-Geral e o banco central.

Cepeda propõe dar continuidade às políticas de Petro e apostar nos “excluídos” em um dos países mais desiguais do mundo.

A oposição o critica por ser um dos arquitetos da “Paz Total”, política com a qual Petro tentou, sem sucesso, negociar com as organizações que permaneceram armadas após o acordo firmado com as Farc.



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