Início NACIONAL o que ficaria de fora em novo tarifaço dos EUA – CartaCapital

o que ficaria de fora em novo tarifaço dos EUA – CartaCapital


A proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros veio acompanhada de uma extensa lista de exceções que, ao menos em um primeiro momento, preservaria alguns dos principais itens da pauta exportadora do Brasil para o mercado norte-americano.

Entre os produtos que ficaram de fora da recomendação estão carne bovina, café, frutas tropicais, cereais, sementes, castanhas, minerais, terras raras, fertilizantes, produtos farmacêuticos, aeronaves e peças aeronáuticas. Também aparecem entre as exceções materiais informativos e doações.

Ao justificar as exclusões, o USTR argumenta que parte desses produtos é considerada estratégica para a economia norte-americana ou não pode ser produzida internamente em quantidade suficiente para atender à demanda dos Estados Unidos. 

A preservação de itens como café, carne e aeronaves reduz o alcance prático da medida em relação ao impacto sugerido pelo percentual anunciado. O caso das aeronaves chama atenção por envolver uma das principais exportações industriais brasileiras para os EUA (bom para a Embraer), enquanto café e carne figuram entre os produtos de maior relevância no comércio bilateral. 

A proposta resulta da conclusão de uma investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O USTR concluiu que determinadas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao Pix, ao combate à corrupção, à propriedade intelectual, ao etanol e ao desmatamento ilegal seriam “irrazoáveis” ou restritivas ao comércio americano. A decisão final, porém, ainda caberá ao presidente Donald Trump

Nos bastidores, integrantes do governo Lula (PT) classificaram a iniciativa como inconsistente e com forte componente político. A orientação do presidente é que os ministérios envolvidos mantenham o diálogo com Washington até o prazo final do processo, marcado para 15 de julho, quando os EUA poderão decidir pela adoção das medidas propostas. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, há preocupação de que temas comerciais sejam incorporados à disputa eleitoral brasileira às vésperas das eleições presidenciais.

A avaliação ganhou força após uma sequência de episódios envolvendo a relação entre Brasília e Washington. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve na Casa Branca e se reuniu com Trump. Após o encontro, afirmou ter defendido ao governo americano a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. 

Dois dias depois, o governo americano anunciou a inclusão das duas facções brasileiras na lista de organizações terroristas estrangeiras, medida criticada pelo governo Lula como uma interferência em assuntos internos do País. Integrantes do Planalto enxergam uma conexão entre os movimentos recentes de Washington e a disputa eleitoral brasileira, embora os EUA sustentem que as decisões decorrem de preocupações com segurança e comércio.



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