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São Paulo será o estado mais prejudicado pelo tarifaço, diz Paulo Gala – CartaCapital


A se confirmar a aplicação do novo tarifaço de 25% sobre a importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o principal prejudicado será o estado de São Paulo, avalia o economista Paulo Gala, professor da FGV.

Em entrevista a CartaCapital, Gala explicou que, ao contrário das exportações do Brasil para a China, amplamente baseadas em commodities como minério de ferro e soja, as vendas para os Estados Unidos contemplam bens manufaturados, como autopeças — ou seja, produtos avançados.

“O problema das tarifas americanas é que elas reforçam a primarização da balança comercial brasileira. Continuaremos a ter superávits robustos, mas cada vez mais ‘comoditizados’, baseados em commodities”, projetou o economista. “Isso machuca especialmente o estado de São Paulo, que é o grande estado de exportações industriais do Brasil.”

O governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é aliado da família Bolsonaro, cujos integrantes não hesitaram em defender, especialmente em 2025, a aplicação de sanções contra o Brasil — o que se converteu em um “tiro no pé” do ponto de vista político.

O próprio Tarcísio comemorou a posse de Donald Trump, no início do ano passado, com um boné do movimento MAGA, o Make America Great Again. Em julho de 2025, quando o republicano confirmou o primeiro tarifaço contra o Brasil, o governador tentou culpar o presidente Lula (PT).

O anúncio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos com a proposta de um novo tarifaço ocorreu uma semana depois de Flávio Bolsonaro (PL) se reunir com Trump. A Casa Branca já havia decidido após o encontro designar como terroristas as facções criminosas PCC e Comando Vermelho, medida com potencial de provocar prejuízos ao sistema financeiro brasileiro — bancos, fintechs e Pix, por exemplo.

Não à toa, governistas têm se referido à ameaça de nova sobretaxa como “TariFlávio”.

Segundo Paulo Gala, a tendência é que Trump imponha alguma tarifa sobre produtos brasileiros, mas ainda há campo para negociar, inclusive porque não interessaria a Washington afastar o Brasil de suas relações comerciais. “Querem que o Brasil continue gravitando o máximo possível em torno dos Estados Unidos.”



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