Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já divulgou duas notas para negar que tenha questionado o sistema de votação durante evento com diplomatas estrangeiros em Brasília.
Na mais recente, assinada também pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da pré-campanha, e por Maria Cláudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da pré-campanha, ele disse que se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: “o fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai [Jair Bolsonaro]”, e “um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas”.
Leia a nota na íntegra:
“NÃO É VERDADE QUE O PRÉ-CANDIDATO FLAVIO BOLSONARO TENHA QUESTIONADO A INTEGRIDADE DO SISTEMA DE VOTAÇÕES NO BRASIL.
EM SUA FALA, O PRÉ-CANDIDATO SE LIMITOU A RELATAR DOIS FATOS PÚBLICOS E AMPLAMENTE DIVULGADOS PELA IMPRENSA: 1) O FATO ORIGINARIAMENTE GERADOR DA INELEGIBILIDADE DE SEU PAI, JAIR BOLSONARO (uma notória reunião com embaixadores); 2) UM RELATÓRIO RECENTEMENTE DIVULGADO PELA CIA, A RESPEITO DE FRAUDES NAS ELEIÇÕES VENEZUELANAS.
EM SUA FALA, QUE É BREVÍSSIMA NESTE PONTO, O PRÉ-CANDIDATO FLÁVIO BOLSONARO AFIRMA EXPRESSAMENTE QUE ‘NÃO ESTÁ QUESTIONANDO O SISTEMA DE VOTAÇÃO BRASILEIRO’ E EXORTA OS DIPLOMATAS ALI PRESENTES A MANDAREM O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE REPRESENTANTES EM MISSÕES DE OBSERVAÇÃO INTERNACIONAL.
AFASTADA QUALQUER DESCONTEXTUALIZAÇÃO DAS FALAS DO PRÉ-CANDIDATO, SUA EQUIPE DE PRÉ-CAMPANHA REAFIRMA SUA INTEGRAL CONFIANÇA NO SISTEMA ELEITORAL BRASILEIRO E SUA CRENÇA IRRESTRITA DE QUE AS MISSÕES DE OBSERVAÇÃO INTERNACIONAL DEVEM SER FORTEMENTE ESTIMULADAS, POIS CONTRIBUEM PARA O APERFEIÇOAMENTO DO PROCESSO ELEITORAL, AMPLIANDO A TRANSPARÊNCIA, A INTEGRIDADE E A CONFIANÇA PÚBLICA NAS ELEIÇÕES.”
A primeira nota
Na primeira nota, mais curta, Flávio afirmou que o convite para a presença de observadores internacionais “segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”.
Eis a íntegra:
“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. O convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral.”
O que disse Flávio?
Em encontro com representantes de 42 países realizado nesta terça-feira em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a diplomatas estrangeiros o envio de observadores internacionais para o pleito presidencial de outubro.
Durante a fala, o pré-candidato à Presidência associou as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic, repetindo uma alegação já refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em ciclos eleitorais anteriores.
Ao se dirigir à plateia, formada por membros do corpo diplomático de nações como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, Austrália e Alemanha, o senador afirmou: “que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições”.
Antes do pedido, ele fez menção a documentos da Agência Central de Inteligência (CIA) tornados públicos na semana anterior pelo governo do presidente americano Donald Trump, que apontam suspeitas sobre o sistema eleitoral da Venezuela.
Foi nesse contexto que Flávio mencionou a Smartmatic, dizendo que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”. A empresa não fabrica nem programa as urnas usadas no Brasil. Ela manteve apenas contratos pontuais de conexão de dados e voz com a Justiça Eleitoral, sem qualquer papel na operação dos equipamentos de votação.
O TSE já havia desmentido publicamente essa associação em 2017, 2020 e 2022, e reiterou a informação nesta terça-feira, quando foi procurado sobre a fala do senador.





