O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quinta-feira, 23, que a nova sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros representa uma tentativa do governo de Donald Trump de restabelecer, por outra via, as tarifas recíprocas anuladas pela Suprema Corte americana.
A medida entra em vigor amanhã, data em que expira a cobrança anterior, e atinge o Brasil e outras dezenas de países.
Segundo o ministro, “essa tarifa pega 99% das importações para os Estados Unidos (considerando todos os países), que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte”, afirmou Durigan, em entrevista à BandNews TV.
O próprio presidente americano já havia sinalizado que buscaria uma forma de reverter a decisão judicial: “O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa”, disse.
Justificativa e reação do governo
A sobretaxa foi anunciada sob a alegação de que 60 países, entre eles o Brasil, não impedem de forma adequada a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Ao todo, 54 nações foram taxadas em 12,5% e outras seis em 10%.
No caso brasileiro, essa alíquota se soma a uma tarifa de 25% anunciada na semana anterior sob acusação de práticas comerciais desleais, elevando a sobretaxa total para 37,5% sobre parte dos produtos nacionais.
Durigan classificou a cobrança como “injustificada e unilateral”, garantiu que o Brasil manteve diálogo com a administração americana com “boa-vontade” e afirmou que o governo continuará oferecendo linhas de crédito a empresários, além de manter negociações com Washington.





