A declaração foi curta, mas carregada de significado político.
Ao afirmar que “aqui, nós resolvemos os nossos problemas nós mesmos”, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deixou claro que pretende conduzir sua campanha à reeleição com uma estratégia diferente daquela adotada por muitos candidatos nas eleições estaduais: reduzir a influência das negociações nacionais e concentrar esforços na construção de uma base política regional.
A frase foi pronunciada ao revelar que pediu ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que retirasse Mato Grosso das conversas entre o partido e o PL sobre a formação de palanques estaduais. Segundo Pivetta, a sucessão mato-grossense deve ser resolvida pelas próprias lideranças locais.
A decisão representa uma inflexão na estratégia política do governador.
Até poucos meses atrás, parte das articulações passava pela expectativa de um entendimento entre Republicanos e PL, sobretudo em razão da proximidade do partido com o ex-presidente Jair Bolsonaro e do peso que um eventual acordo nacional poderia exercer sobre os estados.
Agora, Pivetta sinaliza que prefere construir sua candidatura a partir das circunstâncias políticas de Mato Grosso, sem aguardar definições tomadas em Brasília.
Construção passa pelos prefeitos
Na prática, a estratégia tem um eixo central: fortalecer a relação com os prefeitos.
Mesmo pertencendo a outras legendas, diversos gestores municipais têm participado de agendas com o Governo do Estado, especialmente em projetos de infraestrutura, saúde e abastecimento de água.
O próprio Pivetta destacou que prefeitos do PL, como Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, já manifestam apoio ao seu projeto político, apesar de integrarem o partido que lançou Wellington Fagundes ao Governo.
O movimento indica que a disputa poderá ser menos partidária e mais baseada nas relações construídas ao longo da atual gestão estadual.
Várzea Grande tornou-se prioridade
O exemplo mais evidente dessa estratégia está em Várzea Grande.
Nos últimos dias, o Governo passou a ocupar posição central na tentativa de solucionar a crise histórica do abastecimento de água por meio da Aliança pela Água, acordo firmado com a Prefeitura, Ministério Público e Tribunal de Contas.
Além do investimento previsto, a parceria aproximou institucionalmente Pivetta da prefeita Flávia Moretti (PL), que ainda não declarou apoio a nenhum candidato ao Governo e condicionou sua decisão ao compromisso dos postulantes com as demandas do município.
Embora pertençam a partidos diferentes, ambos passaram a dividir agendas relacionadas ao enfrentamento da crise hídrica, fortalecendo o diálogo político entre Estado e Prefeitura.
Republicanos busca protagonismo
Outro aspecto da estratégia é fortalecer a identidade do Republicanos em Mato Grosso.
Ao afirmar que o Estado não deve servir de moeda de troca nas negociações nacionais, Pivetta também procura demonstrar autonomia do partido no cenário regional.
A mensagem é dirigida tanto ao eleitor quanto às lideranças políticas: a composição da chapa e das alianças dependerá menos das convenções nacionais e mais da capacidade de construir consensos dentro de Mato Grosso.
Essa postura permite ao governador negociar com lideranças de diferentes partidos sem ficar condicionado às definições de Brasília.
Campanha com identidade estadual
Nos bastidores, aliados avaliam que a estratégia também procura diferenciar Pivetta dos adversários.
Enquanto Wellington Fagundes ainda trabalha para consolidar a unidade do PL e aguarda definições partidárias, o governador aposta na continuidade administrativa, na relação com os municípios e na formação de uma base suprapartidária.
A opção por retirar Mato Grosso das negociações nacionais simboliza essa mudança de rumo.
Mais do que uma frase de efeito, o recado de Pivetta revela uma estratégia eleitoral: disputar a sucessão com foco nas demandas locais, nas alianças construídas no interior e na autonomia política do Estado.
Em outras palavras, o governador procura convencer prefeitos e lideranças de que, na eleição de 2026, o caminho para o Palácio Paiaguás será definido menos pelos acordos firmados em Brasília e mais pela capacidade de reunir apoios dentro das fronteiras de Mato Grosso.





