E o mais chocante de tudo, um aumento de 165% das apreensões de fuzis. O relatório do Sou da Paz mostra que essas apreensões cresceram em 25 das 27 unidades da Federação. Houve uma ‘carioquização’ do uso de fuzis, ou seja, ele se expandiu, se universalizou para todos os estados brasileiros.
José Roberto de Toledo
Toledo afirma que o uso de fuzis já era um traço conhecido do crime no Rio de Janeiro, mas o levantamento aponta que a tendência deixou de ser localizada. Ele cita aumentos como 229% no Maranhão, 162% no Tocantins e 111% em São Paulo.
Ele também destaca a mudança no perfil das armas curtas. Em São Paulo, as apreensões de pistolas passaram de 2.891 para 6.112 e, segundo ele, 43% de todas as armas recolhidas pela polícia paulista em 2025 eram pistolas.
Uma pistola, em geral, quando o cara atira, não dá um tiro só, dá um, dois, três tiros, porque basta manter o dedo no gatilho que ela continua disparando. […] Isso faz com que o alvo receba muito mais tiros. E, portanto, a chance de matar a pessoa, de causar um dano com sequelas permanentes também é muito maior.
José Roberto de Toledo
A pesquisadora Samira Bueno diz que a alta nas apreensões coincide com a flexibilização das regras de acesso a armas a partir de 2019, com decretos e normas que ampliaram a compra de armamentos antes restritos, como fuzis.
Juntou a fome com a vontade de comer. A partir de 2019 começam os primeiros decretos, uma série de decretos e normas que vão flexibilizar as regras do controle de armas no Brasil. No momento em que isso passa a ser vendido para qualquer civil, você tem um aumento da oferta e o preço desses fuzis reduz também.
Samira Bueno




