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Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, que assume protagonismo na disputa eleitoral em Mato Grosso
Durante décadas, a crise no abastecimento de água de Várzea Grande foi tratada como um problema crônico de infraestrutura.
Em 2026, porém, ela deixou de ser apenas um desafio administrativo para se tornar um dos principais ativos políticos da sucessão estadual.
Hoje, praticamente todos os movimentos dos principais atores da disputa pelo Palácio Paiaguás passam pelo município.
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Governo do Estado, Prefeitura, Ministério Público, Tribunal de Contas, Câmara Municipal e os dois principais pré-candidatos ao Governo — Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL) — têm Várzea Grande no centro de suas estratégias.
Não por acaso. Além de ser o segundo maior colégio eleitoral do Estado, a cidade reúne uma combinação rara de fatores: crise hídrica, dificuldades financeiras, processo de privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE), investimentos estaduais e uma prefeita que, embora filiada ao PL, ainda não definiu qual candidato apoiará nas eleições.
A principal mudança ocorreu com a criação da Aliança pela Água, Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre Governo do Estado, Prefeitura de Várzea Grande, Ministério Público e Tribunal de Contas para tentar solucionar o problema histórico do abastecimento.
O acordo prevê investimentos de até R$ 60 milhões em obras emergenciais e melhorias operacionais no sistema.
O plano foi interpretado nos bastidores políticos como um divisor de águas na relação entre o Estado e o município, aproximando institucionalmente a prefeita Flávia Moretti do governador Otaviano Pivetta.
Ao mesmo tempo em que o TAC começa a ser executado, a administração municipal prepara outro movimento considerado decisivo: a concessão do DAE à iniciativa privada.
Flávia afirma que pretende concluir o processo até janeiro de 2027 e anunciou consulta pública para discutir o modelo com a população antes da decisão final.
VITÓRIA POLÍTICA – A prefeita também obteve nesta semana uma importante vitória na Câmara Municipal.
Após decisão judicial, os vereadores aprovaram a ampliação de 5% para 30% da margem de remanejamento orçamentário, permitindo maior flexibilidade para reorganizar despesas e manter a execução de serviços considerados prioritários pela administração.
A aprovação ocorreu poucos dias depois da decretação do estado de calamidade financeira e reforçou o discurso da Prefeitura de que seria impossível enfrentar simultaneamente a crise fiscal e a crise hídrica sem maior liberdade para movimentar o orçamento.
PESO POLÍTICO – Se administrativamente Várzea Grande ganhou protagonismo, eleitoralmente o papel da prefeita tornou-se ainda mais relevante.
Embora pertença ao PL, Flávia Moretti não aderiu automaticamente à candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo.
Ao contrário. Ela anunciou que apresentará um termo de compromisso a todos os candidatos ao Palácio Paiaguás e declarou que apoiará apenas quem assumir, formalmente, compromissos com prioridades do município, como a continuidade da Aliança pela Água, investimentos estaduais e mudanças na distribuição do ICMS.
Na prática, a prefeita transformou seu apoio em um ativo político disputado pelos principais concorrentes.
PIVETTA GANHA ESPAÇO – O governador Otaviano Pivetta tem procurado ocupar esse espaço.
Nos últimos dias, intensificou agendas conjuntas com a Prefeitura relacionadas ao abastecimento de água e afirmou que Mato Grosso resolverá internamente sua sucessão, sem interferência das negociações nacionais entre Republicanos e PL.
Também destacou que prefeitos do PL já caminham ao seu lado e evitou pressionar Flávia quanto ao posicionamento eleitoral.
A postura reforça a estratégia de apresentar o Governo como parceiro da recuperação de Várzea Grande, independentemente das disputas partidárias.
Para Wellington Fagundes, o desafio é diferente.
O senador precisa manter unido o maior município administrado pelo próprio partido justamente no momento em que a prefeita evita assumir compromisso eleitoral e parte dos prefeitos da legenda demonstra aproximação com Pivetta.
A ausência de Flávia na convenção estadual do PL e sua decisão de condicionar qualquer apoio ao atendimento das demandas do município foram interpretadas como sinais de que a disputa em Várzea Grande continuará aberta durante toda a campanha.
ELEIÇÃO PASSA POR VG – Nos bastidores da política mato-grossense, consolidou-se a avaliação de que Várzea Grande deixou de ser apenas um importante colégio eleitoral para se transformar em uma vitrine de gestão.
Quem conseguir associar sua imagem à solução da crise da água, ao avanço da concessão do DAE e à recuperação financeira do município tende a chegar fortalecido à reta final da campanha.
Mais do que conquistar votos, Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta disputam hoje a narrativa sobre quem será capaz de resolver um problema histórico que há décadas afeta a vida dos várzea-grandenses.
Em uma eleição que promete ser equilibrada, vencer essa disputa poderá representar um passo decisivo rumo ao Palácio Paiaguás.





