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A campanha pelo Governo de MT começa a ganhar um tom diferente do esperado, a dois meses da eleição, com acusações genéricas, sem provas
A pouco mais de dois meses das eleições, a disputa pelo Governo de Mato Grosso começa a ganhar um tom diferente do esperado.
Em vez de propostas para áreas como saúde, infraestrutura, segurança pública ou desenvolvimento econômico, os principais atores da sucessão estadual passaram a protagonizar uma guerra de declarações recheadas de insinuações, acusações genéricas e recados direcionados aos adversários – quase sempre sem apresentar nomes, provas ou representar formalmente aos órgãos de controle.
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Nos últimos dias, esse tipo de discurso se repetiu em diferentes frentes da campanha e acabou se tornando um dos principais temas dos bastidores políticos.
O objetivo aparente é atingir adversários sem assumir o ônus jurídico de uma acusação direta, estratégia que especialistas classificam como típica de campanhas altamente polarizadas.
O caso mais recente envolve o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL).
Durante participação na Expoagro, ele afirmou que existiriam deputados estaduais que criticam o agronegócio, embora fossem sustentados financeiramente pelo próprio setor, chegando a citar que manteriam “família e amantes” com recursos ligados ao agro.
Apesar da gravidade da declaração, nenhum nome foi mencionado.
Na disputa pelo Palácio Paiaguás, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) também elevou o tom ao afirmar que os eleitores não deveriam escolher governantes conhecidos por pedir “30% de volta” em contratos públicos.
Embora não tenha citado inicialmente o destinatário da crítica, dias depois, associou o discurso ao senador Wellington Fagundes (PL), seu principal adversário na corrida eleitoral.
Wellington respondeu adotando outra estratégia.
Durante a convenção estadual do PL, desafiou publicamente os adversários a apontarem qualquer irregularidade envolvendo seus 33 anos de vida pública, afirmando nunca ter respondido a processos ou sido condenado pela Justiça.
O ambiente de acusações também alcançou outras disputas eleitorais.
O empresário Antônio Galvan (Avante), pré-candidato ao Senado, declarou que haveria parlamentares federais que exigiriam a devolução de até 30% dos recursos destinados por emendas parlamentares.
Apesar da denúncia, afirmou que não pretende revelar nomes nem formalizar representação aos órgãos competentes.
A declaração provocou reação imediata do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), que classificou a fala como “falácia”, enquanto não forem apresentados fatos concretos.
Outro episódio ocorreu dentro da disputa no União Brasil.
O deputado estadual Júlio Campos (União) acusou empresários de tentarem influenciar, por meio de vantagens oferecidas a convencionais, o resultado da convenção que decidirá se o partido lançará candidatura própria ao Governo ou permanecerá aliado ao Republicanos.
Segundo ele, caso as denúncias sejam confirmadas, o grupo recorrerá ao Ministério Público Eleitoral.
Na avaliação de analistas políticos, esse tipo de discurso atende a uma lógica eleitoral bastante conhecida.
Ao lançar suspeitas sem individualizar os acusados, o político consegue produzir forte repercussão entre seus apoiadores, ocupar espaço no debate público e impor desgaste aos adversários, ao mesmo tempo em que reduz o risco de responder judicialmente por calúnia, difamação ou propaganda eleitoral irregular.
As redes sociais potencializam esse mecanismo.
Uma declaração vaga costuma gerar interpretações diversas, permitindo que diferentes grupos atribuam espontaneamente as acusações aos adversários que já rejeitam.
O resultado é um ambiente de permanente especulação, em que a narrativa muitas vezes ganha mais importância do que os fatos efetivamente comprovados.
DEBATE PERDE ESPAÇO – A intensificação desse modelo de campanha também provoca outro efeito: reduz o espaço destinado à discussão de propostas.
Até o momento, temas estruturais para Mato Grosso — como logística, saúde pública, segurança, industrialização, meio ambiente, educação e diversificação econômica — têm aparecido de forma secundária diante da troca constante de acusações.
Nos bastidores, integrantes das campanhas reconhecem que declarações polêmicas costumam produzir mais repercussão nas redes sociais e maior cobertura imediata da imprensa do que anúncios de programas de Governo.
Para o eleitor, o cenário exige cautela.
Especialistas recomendam que denúncias sejam analisadas com espírito crítico e que o histórico dos candidatos, suas votações, decisões administrativas e eventuais investigações oficiais tenham mais peso do que declarações genéricas feitas durante a campanha.
Com o início oficial da propaganda eleitoral se aproximando, a expectativa é de que o confronto entre os candidatos se intensifique.
A principal dúvida é se a disputa continuará concentrada na troca de acusações ou se abrirá espaço para um debate mais consistente sobre os projetos de Governo.





