A aprovação pela Anvisa de cinco novas canetas de semaglutida sintética para o tratamento do diabetes tipo 2 abre uma nova fase para o mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 e pode beneficiar empresas expostas ao segmento. Em relatório, o Bank of America (BofA) avalia que a ampliação da oferta tende a acelerar a adoção desses tratamentos e ampliar o mercado formal no país.
Segundo o banco, as novas autorizações contemplam produtos da Hypera, Sun Pharma/Ranbaxy, Sandoz e Adalvo/Avita Care, elevando para seis o número total de canetas de semaglutida aprovadas pela agência reguladora. Apesar disso, entre os registros ligados à Hypera e à Sun, apenas o Semavy é atualmente esperado para chegar efetivamente ao mercado.
Na visão do BofA, a entrada de medicamentos de menor preço deve aumentar o acesso da população aos tratamentos com GLP-1. Hoje, as vendas formais dessa classe de medicamentos somam cerca de R$ 14,5 bilhões por ano no Brasil, enquanto o mercado informal é estimado em um volume de duas a três vezes maior.
O potencial de crescimento continua significativo. O banco destaca que o Brasil possui mais de 15 milhões de pessoas com diabetes tipo 2 e cerca de 97 milhões de adultos com sobrepeso ou obesidade. Considerando uma base potencial de 7 milhões de usuários, duração média de tratamento de 5,6 meses e custo de R$ 312 por caixa, o BofA estima um mercado endereçável total de aproximadamente R$ 11 bilhões para a semaglutida.
Hypera
Entre as ações acompanhadas, a Hypera (HYPE3) aparece como uma das principais beneficiadas. O banco espera que o Semavy tenha preço semelhante ao Ozivy, da EMS, o primeiro produto sintético a chegar ao mercado, com desconto próximo de 60% em relação ao Ozempic.
Caso a Hypera conquiste uma participação de mercado de 10% no segmento de semaglutida, em linha com a fatia média da companhia em outras categorias, o BofA calcula que o Semavy poderia acrescentar cerca de 9% à receita da farmacêutica. O banco ressalta que a empresa pode conquistar uma participação inicial ainda maior por estar entre as primeiras a lançar o produto.
RD Saúde
Outra potencial beneficiária é a RD Saúde (RADL3). De acordo com o BofA, a companhia detém uma participação expressiva de aproximadamente 35% nas vendas de GLP-1, favorecida pela sua forte presença digital, pelos preços elevados dos medicamentos e pela infraestrutura de cadeia refrigerada necessária para a distribuição desses produtos.
Para o banco, a chegada de novas marcas pode melhorar a disponibilidade das canetas de semaglutida e reaquecer o crescimento da categoria dentro da RD Saúde. Além disso, embora os lançamentos atuais devam apresentar margens semelhantes às dos medicamentos de referência, a intensificação da concorrência pode fazer com que, ao longo do tempo, as margens do varejo se aproximem das observadas no mercado de genéricos, criando uma dinâmica favorável para o setor.
Varejo e academias
Além dos impactos para farmacêuticas e redes de farmácias, o BofA destaca que a expansão do uso de medicamentos GLP-1 pode provocar mudanças relevantes nos hábitos de consumo dos brasileiros.
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Com base em dados da Euromonitor, o banco aponta uma possível migração dos gastos para categorias como alimentos frescos, proteínas, suplementos alimentares, produtos para cuidados com os cabelos e artigos esportivos. Nesse cenário, empresas como GPA (PCAR3), Cencosud, Assaí (ASAI3), Mercado Livre (MELI34) e RD Saúde (RADL3) aparecem entre as potenciais beneficiárias dessa mudança de comportamento.
O relatório também cita uma pesquisa da PwC realizada nos Estados Unidos que identificou efeitos mais amplos sobre o consumo discricionário à medida que usuários de GLP-1 perdem peso.
Segundo o estudo, os gastos com vestuário aumentaram 9,9% após seis a oito meses de tratamento, enquanto as despesas com joias avançaram 36,4%. Na avaliação do BofA, essa tendência pode favorecer empresas como Lojas Renner (LREN3) e Vivara (VIVA3), caso o fenômeno se repita em outros mercados.
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Outra companhia que pode se beneficiar é a Smart Fit (SMFT3). O banco observa que usuários de GLP-1 tendem a incorporar exercícios físicos à rotina, especialmente treinos de força voltados à preservação da massa muscular durante o processo de perda de peso.
Embora as evidências sobre ganhos mais amplos de adesão às academias ainda sejam limitadas, o BofA vê potencial para que a adoção crescente desses medicamentos crie oportunidades adicionais para o setor de fitness no longo prazo.





