No voo anterior ao acidente, o comandante comentou na cabine sobre o gelo acumulado na aeronave. “O lá o gelo… o gelo foi embora agora, finalmente. Escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou”, disse, em conversa gravada pela caixa-preta.
Após o pouso desse trecho, o piloto indicou alívio ao falar com o copiloto. “Chegamos vivos”, afirmou, ainda segundo o áudio registrado no gravador de voz da cabine.
Já no voo que terminaria em tragédia, um alerta crítico apareceu ainda na subida e foi associado ao sistema de degelo. “É o ‘Airframe’ que deu ‘fault’… pode tirar, pode tirar… pelo menos a gente já sabe que tá…”, disse o piloto.
O copiloto demonstrou preocupação com a rota e com a possibilidade de entrar em área de formação de gelo. “Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?”, afirmou.
Em meio aos alertas, o comandante comparou o avião a um carro antigo, em tom de ironia. “Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá… Herbie, filme bem antigo”, disse.
Quase uma hora depois, já na aproximação de São Paulo, o copiloto voltou a relatar acúmulo de gelo e tentou acionar o sistema. Ao ouvir a tentativa de ligar o airframe, o piloto respondeu: “Essa bosta não tá funcionando, né?”




