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Depoimento indica suposta trama para forjar acusação de estupro contra vice de Flávio


Um boletim de ocorrência registrado na Polícia Legislativa Federal da Câmara dos Deputados aponta para a suspeita de uma trama destinada a fabricar uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), hoje vice na chapa de Flávio Bolsonaro.

A trama supostamente envolveria diretamente o deputado federal Lindbergh Farias (PT), ex-líder do PT na Câmara e um dos principais integrantes da tropa de choque governista. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles, mas O Antagonista traz novos detalhes dessa história.

Em 27 de março deste ano, o Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) levaram à Polícia Federal uma notícia de fato contra o parlamentar, acusando-o de estupro de vulnerável e tentativa de ocultação dos fatos no último dia de sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Gaspar negou a acusação. Hoje, o caso está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.

O caso começou a ser descoberto em 14 de abril, quando a assessora de Gaspar, Marise Pena, relatou à Polícia Legislativa ter recebido uma ligação de uma pessoa identificada como Luiz Antonio Lopes. Segundo ela, o homem afirmou ter conhecimento de uma armação envolvendo uma jovem que assumiria identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma história de abuso sexual contra o parlamentar.

O depoimento sobre a trama envolvendo vice de Flávio

Lopes, em 23 de abril, confirmou em depoimento à Polícia Legislativa que conheceu uma jovem chamada Marcela, que teria sido orientada a se apresentar como “Jailma”, suposta mulher de origem nordestina que teria sido abusada por um político quando adolescente e engravidado em decorrência do crime. Marcela fora convencida, segundo Lopes, por um suposto assessor parlamentar de nome Lucas, ligado à prefeitura de Nova Iguaçu, berço político de Lindbergh.

O depoente afirmou ainda que sua própria conta bancária foi utilizada para receber valores destinados a Marcela. Foram três supostos pagamentos: um de 10 mil reais, um de 4 mil reais e um terceiro de 2,5 mil reais. Dois deles, foram comprovados. O de 10 mil reais e outro de 2,5 mil reais.

Chama a atenção no depoimento é que um desses pagamentos feitos a Marcela, o de 4 mil reais, por intermédio de Lopes teria ocorrido pela conta de Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer. Carlos Roberto chegou a ser preso por determinação da CPMI do INSS por mentir ao colegiado.

No depoimento, Luiz Antônio Lopes narra que Marcela chegou a fazer uma reunião pelo Google Meet em que supostamente teria a participação de Lindbergh Farias.

A suposta participação do PT no episódio

“Marcela viabilizou uma reunião virtual realizada por meio da plataforma Google Meet, ocasião em que estavam presentes o próprio Lindbergh Farias, Carlos Roberto Lopes, um vereador de Nova Iguaçu/RJ conhecido como ‘Toninho da Padaria’, além de outras pessoas não identificadas; QUE, durante essa reunião, Marcela cobrou o pagamento que lhe havia sido prometido, tendo sido informada de que o valor seria providenciado, o que de fato ocorreu por meio de terceiros; QUE os pagamentos eram feitos, em regra, por outras pessoas, aparentemente para evitar que os principais envolvidos figurassem diretamente nas transações; QUE, segundo sua percepção, o declarante acredita que Lindbergh Farias parecia ter ciência do contexto tratado nas reuniões e integraria o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa”, aponta o boletim de ocorrência registrado por Luiz Antonio Lopes.

“Quando Lindbergh Farias levou adiante a acusação pública ao longo dos trabalhos da CPMI, caiu a ficha para o denunciante sobre a efetiva  trama em curso; QUE o plano, conforme compreendeu, consistia em apresentar a falsa vítima Marcela, sob o nome de ‘Jailma’ e, num segundo momento, fazê-la desaparecer, para depois sustentar publicamente que o relator da CPMI do INSS teria mandado sumir com ela, aprofundando a suspeita e o desgaste político”, acrescenta o boletim de ocorrência.

A investigação ainda está em curso na Polícia Legislativa do DF.





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