Um tribunal da Síria condenou nesta terça-feira (11) o ditador deposto Bashar al-Assad à morte, à revelia, após considerá-lo culpado das acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil do país.
A decisão contra Assad é a primeira sob as autoridades de transição, que neste ano começaram a julgar integrantes do antigo regime, tanto presencialmente quanto à revelia.
O ditador deposto fugiu da Síria rumo à Rússia quando, em dezembro de 2024, rebeldes comandados pelo novo líder sírio, Ahmed al-Sharaa, tomaram Damasco e encerraram seu regime, após mais de uma década de guerra civil que começou como um levante popular.
Ele está em Moscou atualmente. Os integrantes do regime de Assad têm vida luxuosa escondidos da Justiça, protegidos pela riqueza e por nações complacentes. Investigação do jornal The New York Times encontrou alguns deles vivendo nos Emirados, na Rússia e até mesmo na Síria.
Assad Atif Najib, ex-funcionário do regime Assad, também foi condenado por crimes contra a humanidade cometidos quando chefiava a segurança política na província de Daraa, berço do levante de 2011 no país.
O tribunal considerou Najib, primo do líder deposto e preso em janeiro do ano passado, culpado de crimes que incluem assassinato, homicídio doloso de crianças menores de 15 anos e tortura que resultou em morte.
Os atos atribuídos a ele constituem crimes contra a humanidade, afirmou a corte ao impor a pena mais severa, que é a pena de morte.
Reportagem no NYT buscou entender o destino de 55 ex-líderes do regime que desapareceram quando Assad caiu. Eles eram homens com imenso poder, mas perfis públicos limitados. Tiveram décadas para aperfeiçoar a arte de obscurecer suas identidades com nomes falsos e passaportes comprados. Todos estão sob sanções internacionais; vários enfrentam mandados de prisão internacionais.
Muitos estão vivendo luxuosamente. Segundo o jornal americano, houve festas de aniversário extravagantes para as filhas dos irmãos Assad em uma vila em Moscou e em um iate em Dubai. O ex-chefe de espionagem Ali Mamlouk, segundo pessoas próximas, vive em um apartamento em Moscou às custas da Rússia.
Ghassan Bilal, considerado um dos chefões do império de drogas do regime, também está em Moscou, mas sustenta o estilo de vida confortável de sua família no exterior, da Espanha a Dubai, segundo três ex-oficiais.
A guerra civil na Síria matou centenas de milhares de pessoas e deslocou milhões desde 2011, levando cerca de 5 milhões a buscar refúgio em países vizinhos. A queda do regime da família Assad —integrante da minoria alauíta e no poder havia 54 anos, com Bashar e antes com seu pai, Hafez— e o fim dos combates abriu caminho para o retorno gradual da população ao país.
No entanto, o país ainda está fragmentado e tenta encontrar estabilidade e se recuperar após anos de guerra civil. No pós-Assad, centenas de pessoas foram mortas em episódios de violência sectária que provocaram novos deslocamentos e alimentaram a desconfiança de minorias em relação ao governo de Sharaa, que ainda luta para restabelecer a autoridade de Damasco em todo o território.





