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No Plano de Governo de Lula, há a observação de que o agronegócio é fundamental para o desempenho da balança comercial e para a evolução do PIB nacional
O agronegócio ganhou espaço e uma abordagem mais econômica no novo Plano de Governo apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a eleição deste ano.
Diferentemente do programa de 2022, que associava com maior frequência o setor à segurança alimentar, sustentabilidade, agricultura familiar e reforma agrária, o documento atual ressalta a contribuição do agro para o Produto Interno Bruto (PIB), a balança comercial, as exportações e a inovação.
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A mudança não significa o abandono da agenda ambiental.
Sustentabilidade continua presente, mas agora aparece acompanhada de compromissos com financiamento, produtividade, tecnologia, agregação de valor às exportações e redução da burocracia para obtenção de crédito.
“O agronegócio é fundamental para o desempenho de nossa balança comercial e para a evolução do PIB nacional”, afirma o novo programa.
O documento defende políticas que conciliem eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e inovação tecnológica.
E estabelece como desafio aumentar o valor agregado das exportações brasileiras, reduzindo proporcionalmente a dependência da venda de produtos primários.
O reposicionamento ocorre em uma eleição na qual a relação de Lula com o agronegócio permanece como um dos pontos de disputa política com seus adversários, especialmente em estados de forte produção agropecuária, como Mato Grosso.
DE 2022 PARA 2026 – A comparação entre os dois programas evidencia a mudança de ênfase.
Em 2022, quando Lula disputava a Presidência contra Jair Bolsonaro (PL), o agronegócio aparecia dentro de uma abordagem mais ampla sobre produção de alimentos e desenvolvimento sustentável.
O documento daquele ano defendia o fortalecimento da agricultura familiar, da agricultura tradicional e do “agronegócio sustentável”, como parte de uma estratégia para modificar padrões de produção e consumo e garantir alimentação saudável.
Também relacionava agricultura e pecuária à segurança alimentar e defendia uma produção comprometida com sustentabilidade ambiental e social.
Entre os compromissos, estavam redução dos custos de produção e dos preços dos alimentos, estímulo à produção orgânica e agroecológica e a chamada “democratização na posse e uso da terra”.
No programa apresentado agora, o papel econômico do setor aparece de maneira mais explícita.
O agro é reconhecido diretamente como estratégico para o desempenho do PIB e para o saldo comercial brasileiro, enquanto o Governo promete instrumentos destinados a financiar sua expansão e modernização.
TARIFAÇO ENTRA NO CENÁRIO – A mudança ocorre também depois de o agronegócio assumir papel importante na reação brasileira às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A cobrança norte-americana chegou a 50% no ano passado e, atualmente, parte de uma base de 25%, conforme o material que embasa esta reportagem.
Depois de negociações do Governo brasileiro, com participação do setor produtivo, produtos como carne, café e suco de laranja obtiveram exceções.
O episódio reforçou a importância política de setores exportadores e a necessidade de interlocução entre Governo e agronegócio, em questões de comércio exterior.
O novo programa incorpora justamente essa dimensão, ao defender maior agregação de valor aos produtos brasileiros destinados ao exterior.
A proposta é diminuir relativamente a chamada primarização da pauta comercial, estimulando produtos com maior processamento e valor agregado.
MAIS CRÉDITO – Outra diferença em relação ao programa eleitoral de quatro anos atrás está na atenção ao financiamento.
O plano de 2026 promete diversificar as fontes de recursos disponíveis ao produtor e ampliar a participação do mercado privado no financiamento da atividade.
“Buscaremos também continuar diversificando as fontes de financiamento, estimulando o mercado de capitais e títulos do agronegócio”, estabelece o documento.
Também são prometidas medidas para simplificar o acesso ao crédito, reduzir burocracia e estabelecer critérios mais claros.
O financiamento ganha relevância em um momento de pressão do setor por recursos suficientes e condições adequadas para custear uma atividade intensiva em capital.
Além do crédito rural tradicional, o programa sinaliza estímulo a instrumentos privados de financiamento e títulos vinculados ao agronegócio.
TECNOLOGIA E PRODUTIVIDADE – O setor também aparece no capítulo dedicado à ciência, tecnologia e inovação.
O programa propõe articular instituições responsáveis pelo financiamento da inovação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico com a modernização da produção.
Nesse contexto, o agronegócio é citado ao lado da indústria como um dos setores que deverão ser conectados ao desenvolvimento científico para aumentar produtividade.
A formulação reforça a tentativa de apresentar o agro não apenas como produtor e exportador de commodities, mas como parte de uma estratégia de inovação tecnológica.
RELAÇÃO AINDA É DESAFIO – A mudança de linguagem ocorre depois de um mandato no qual a relação entre Lula e segmentos do agronegócio permaneceu marcada por diferenças políticas.
O setor tradicionalmente possui forte presença de grupos conservadores e foi uma das bases de sustentação política de Jair Bolsonaro.
Na eleição deste ano, adversários de Lula – entre eles, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL) – também disputam esse eleitorado.
O Governo procurou estabelecer pontes com o setor ao longo do mandato, por meio de medidas econômicas – entre elas, linhas de crédito para produtores endividados e as sucessivas edições do Plano Safra.
Em parte dessa interlocução, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiu papel relevante, na representação do Governo junto ao setor produtivo.
Neste ano, por exemplo, Lula não participou, pela manhã, do lançamento da parcela do Plano Safra destinada à agricultura empresarial porque estava em viagem oficial ao Paraguai.
Retornou ao Brasil no mesmo dia e participou da cerimônia dedicada aos pequenos produtores.
AGRO GANHA PESO ELEITORAL – O novo programa indica que a campanha petista pretende dar ao agronegócio um tratamento mais diretamente associado à geração de riqueza, exportações e crescimento econômico.
Em 2022, o centro da formulação estava na combinação entre produção agropecuária, combate à fome, sustentabilidade e acesso à terra.
Em 2026, sem abandonar esses temas, o texto acrescenta de forma mais explícita PIB, balança comercial, crédito, mercado de capitais, inovação e produtividade.
A mudança de ênfase ocorre justamente quando Lula volta a disputar espaço político em um segmento no qual enfrenta resistência histórica e que seus adversários também procuram mobilizar.
O novo discurso, portanto, coloca o agronegócio não apenas como tema de política agrícola, mas como uma das frentes da própria disputa presidencial de 2026.





