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Campanha em MT chega ao início com uma mudança relevante na distância entre os dois primeiros colocados
A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso, no Senado, chega ao início oficial da campanha com uma mudança relevante na distância entre os dois primeiros colocados.
A série da Percent Brasil mostra Mauro Mendes (União Brasil) caindo 5,3 pontos percentuais, entre julho e agosto, enquanto Janaina Riva (MDB) avançou 2,5 pontos, no mesmo período, e ficou a apenas 1,1 ponto do primeiro colocado.
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A movimentação ganha relevância política pelo momento em que a pesquisa foi realizada.
O trabalho de campo ocorreu entre 7 e 10 de agosto, imediatamente depois da deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, no dia 6.
A proximidade das datas permite afirmar que a redução da vantagem de Mauro coincidiu temporalmente com a repercussão da operação.
Os dados, entretanto, não permitem concluir que a Heritage provocou a queda.
Pesquisas eleitorais mostram a intenção de voto no período em que as entrevistas são realizadas, mas não identificam, por si só, a causa da mudança de comportamento do eleitor.
VANTAGEM ENCOLHE – A série histórica da Percent Brasil mostra que Mauro mantinha relativa estabilidade até julho.
Em junho, registrava 25,1%. No mês seguinte, oscilou para 25,3%. Agora aparece com 20%.
Janaina percorreu caminho diferente. Tinha 18,5% em junho, caiu para 16,4% em julho e voltou a crescer em agosto, alcançando 18,9%.
Com isso, uma distância que era de 8,9 pontos em julho caiu para 1,1 ponto em agosto.
A diferença é inferior à margem de erro da pesquisa, de 2,83 pontos percentuais, o que significa que os dois primeiros estão tecnicamente próximos dentro dos limites amostrais do levantamento.
O dado mais seguro, portanto, não é afirmar uma mudança de liderança, mas registrar o forte estreitamento da distância entre Mauro e Janaina.
OPERAÇÃO ENTROU NO AMBIENTE ELEITORAL – A Heritage investiga suspeitas relacionadas ao acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Estado e a antiga operadora de telefonia Oi S/A.
A operação atingiu politicamente Mauro e outros integrantes ou ex-integrantes de sua administração e rapidamente passou a ocupar o debate eleitoral.
Como a pesquisa começou a ouvir eleitores no dia seguinte à operação, parte das entrevistas ocorreu enquanto o episódio ganhava repercussão.
Para demonstrar eventual relação entre os dois fatos, porém, seriam necessários outros elementos — como recortes temporais das entrevistas, cruzamentos dos microdados ou novas pesquisas realizadas depois de maior exposição do caso.
Por isso, a evolução das próximas sondagens será particularmente importante: poderá mostrar se a oscilação registrada em agosto foi circunstancial ou se representa uma mudança mais persistente na disputa.
REJEIÇÃO TAMBÉM É MAIOR – Outro indicador da Percent Brasil adiciona um elemento à análise.
Mauro apresenta a maior rejeição entre os candidatos testados para o Senado, com 8,8%. Pedro Taques (PSB) aparece em seguida, com 7,1%.
Rejeição e intenção de voto medem aspectos diferentes e não podem ser interpretadas isoladamente.
Ainda assim, o indicador passa a ser relevante num cenário em que a distância entre os dois primeiros diminuiu.
A eleição para o Senado possui ainda uma característica decisiva: Mato Grosso elegerá dois representantes, e cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes.
Isso torna a leitura da disputa mais complexa do que uma corrida por apenas uma vaga.
A primeira pesquisa realizada após a Heritage, portanto, não permite dizer que a operação retirou votos de Mauro.
Mostra algo mais objetivo: no momento imediatamente posterior à operação, a vantagem que ele mantinha sobre Janaina praticamente desapareceu na série da PercentBrasil.
As próximas pesquisas indicarão se esse movimento se mantém durante a campanha ou se agosto representou apenas uma oscilação momentânea.





