Janja da Silva (foto) se mudou para o Palácio da Alvorada prometendo “ressignificar o conteúdo do que é ser uma primeira-dama“. A mulher de Lula não conseguiu fazer isso, apenas vulgarizou a posição com sua tentativa de se tornar protagonista sem ter atributos que justificassem a empreitada.
Depois de representar o Brasil em eventos na ONU sem ter recebido um voto sequer, intervir numa reunião com o presidente da China, xingar Elon Musk publicamente e tentar a sorte em eventos como a tragédia das chuvas no Rio Grande do Sul, em 2024, Janja resolveu emular a antecessora na posição de primeira-dama e dividiu o palco com um pastor evangélico no ato de Lula.
Janja já vem participando com Lula de eventos políticos para tentar diminuir a rejeição dos evangélicos em relação ao petista, mas nada se compara ao que Michelle Bolsonaro significa nesse âmbito para o bolsonarismo — e é até covardia comparar o desempenho das duas.
Carisma
Aliás, enquanto Janja pena para diminuir a própria rejeição, Michelle se posiciona para conseguir uma vaga no Senado neste ano, mesmo diante da resistência dos filhos de seu marido.
No fim das contas, é uma questão de carisma, e a vontade da mulher de Lula de chamar atenção contrasta com a naturalidade com que Michelle conquistou seu espaço na política.
Para além das intenções e discursos, os atos de um político falam por si.
Janja guardou para o ato de domingo uma oportunista homenagem a Marisa Letícia, falecida ex-mulher de Lula, que acompanhou praticamente toda a vida política do petista.
Dona Marisa passou os últimos quatro anos praticamente apagada do passado do presidente — especula-se que por conta da própria Janja —, e foi sacada pela primeira-dama como um subterfúgio para a campanha do marido, pautada pela defesa também oportunista das mulheres, numa clara tentativa de desgastar o adversário Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Leia também: Janja só é carismática sem microfone
Poder
O resultado de tudo isso foi registrado por uma pesquisa Meio/Ideia divulgada em julho, que indicou Michelle como a mais mencionada entre as mulheres mais poderosas do Brasil.
Janja não advoga exatamente a favor da reeleição de Lula. Muito pelo contrário.
Leia mais: Reiniciar Lula é admitir seu fracasso





