A minuta de contrato enviada pela lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), continha um plano de venda de medicamentos à base de canabidiol no valor de 626 milhões de reais, publicou O Globo.
O documento previa a venda, sem licitação, de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de remédios pela World Cannabis, empresa pertencente ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, ao Ministério da Saúde.
Segundo o jornal, a minuta foi encontrada pela Polícia Federal nos celulares de Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, ambos investigados por suspeita de tráfico de influência.
Como lobista e amiga do filho do presidente Lula, ela teria sido contratada para viabilizar a negociação.
Uma testemunha que trabalhava para a World Cannabis contou à PF, em depoimento, que a minuta foi discutida pela equipe do “Careca do INSS” antes de ser enviada ao ex-chefe de gabinete de Lula.
Termo de referência
A PF também encontrou versões de um termo de referência, espécie de manual técnico usado como base para o planejamento de contratações pelo governo, nos celulares de Antônio Carlos Camilo Antunes e de funcionários da empresa.
Os investigadores suspeitam que o Careca do INSS queria entregar o texto pronto para que o Ministério da Saúde apenas publicasse no Diário Oficial da União.
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Dispensa de licitação
A possibilidade de emplacar o negócio com dispensa de licitação foi discutida entre Luchsinger e Antunes.
“É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação”, disse a amiga de Lulinha ao “Careca do INSS” em áudio.
Em fevereiro de 2025, ele enviou uma mensagem à sua equipe, pedindo “um modelo que foi efetivado no MS [Ministério da Saúde]”.
No mês anterior, ele mandou uma mensagem dizendo que teria reuniões com técnicos da pasta que, segundo ele, teriam o “poder de acatar a execução do projeto”.
Conforme o inquérito, Antônio Carlos Camilo Antunes viajou aos Estados Unidos e à Colômbia para buscar fornecedores de canabidiol.
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