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Amiga de Lulinha diz em mensagem que conversou com Lula


Trecho de um relatório da Polícia Federal (PF) revela que a lobista Roberta Luchsinger mantinha uma sociedade oculta com o empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e o amigo Fernando Bittar, um dos proprietários do famoso sítio de Atibaia.

A revista Veja divulgou trechos de conversas entre Roberta e o empresário Gustavo Gaspar, nas quais ela reforça sua proximidade pessoal e comercial com o filho de Lula (PT). Em uma delas, a lobista diz ter conversado com o presidente.

Eis um dos diálogos:

Roberta Luchsinger: “Sabe, fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: Escolhe onde você quer ficar”.

Gustavo Gaspar: “Aquela empresa é para dar resultado”

Roberta: “Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando”

Gustavo: “Um cara fod# da Faria Lima. Próximo de vocês”

Roberta: “Tô em cargo nenhum e ando onde eu quero.”

Roberta: “Fefe, Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, todos vão. A gente é mesmo irmão, sabe.”

“Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”, finalizou a conversa.

“Quero 100 milhões”

Em outra conversa entre Roberta e Gaspar, a empresária afirma: “Eu quero 100 milhões esse ano.”

Gustavo responde: “Hahahaha”

Roberta: “Para mim”

Gustavo: “Tá desmotivada? Kkkk”

Roberta: “Sou modesta”

Grupo “Musaranhos”

A proximidade entre Roberta, Bittar e Lulinha fica ainda mais evidente em um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”.

Segundo a PF, a trinca mantinha conversas sobre negócios envolvendo o governo, especialmente ter influência junto ao Ministério da Saúde.

Musaranho é um mamífero que se parece com um rato. Lulinha e Bittar eram os “Musos”, enquanto Roberta era a “Musa”.

“Convém indicar que Fabio Luis Lula da Silva aparece reiteradamente no material analisado como figura de elevada relevância mesmo que adote postura de menor exposição nas tratativas. As comunicações indicam que Fabio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos”, diz o relatório policial.

Blindagem?

O relatório da Polícia Federal também detalha o papel atribuído a Roberta na suposta sociedade formada com Lulinha.

“As mensagens evidenciam que ROBERTA mantém vínculo próximo e contínuo com FABIO Luiz Lula da Silva e FERNANDO Bittar, além de outros indivíduos já identificados nesta e em outras informações. Observa-se que, de forma reiterada, ROBERTA atua como o elo que liga esses agentes a pessoas estratégicas, inclusive empresários, operadores financeiros, advogados, jornalistas e pessoas situadas em posições relevantes da Administração Pública.”

O relatório prossegue: “Em especial, convém indicar que FABIO Luiz Lula da Silva aparece reiteradamente no material analisado como figura de elevada relevância mesmo que adote postura de menor exposição nas tratativas. As comunicações indicam que FABIO é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome.”

A PF acrescenta que havia uma “preocupação” em preservar Lulinha.

“Os elementos probatórios obtidos no curso da investigação revelam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”, concluíram os delegados.

Canabidiol

minuta de contrato enviada pela lobista Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), continha um plano de venda de medicamentos à base de canabidiol no valor de 626 milhões de reais, publicou O Globo.

O documento previa a venda, sem licitação, de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de remédios pela World Cannabis, empresa pertencente ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, ao Ministério da Saúde.

Segundo o jornal, a minuta foi encontrada pela Polícia Federal nos celulares de Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, ambos investigados por suspeita de tráfico de influência.

Como lobista e amiga do filho do presidente Lula, ela teria sido contratada para viabilizar a negociação.

Uma testemunha que trabalhava para a World Cannabis contou à PF, em depoimento, que a minuta foi discutida pela equipe do “Careca do INSS” antes de ser enviada ao ex-chefe de gabinete de Lula.

Termo de referência

A PF também encontrou versões de um termo de referência, espécie de manual técnico usado como base para o planejamento de contratações pelo governo, nos celulares de Antônio Carlos Camilo Antunes e de funcionários da empresa.

Os investigadores suspeitam que o Careca do INSS queria entregar o texto pronto para que o Ministério da Saúde apenas publicasse no Diário Oficial da União.

Leia também: Mensagens de Lulinha sugerem lobby junto ao gabinete de Lula

Dispensa de licitação

A possibilidade de emplacar o negócio com dispensa de licitação foi discutida entre Luchsinger e Antunes.

“É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação”, disse a amiga de Lulinha ao “Careca do INSS” em áudio.

Em fevereiro de 2025, ele enviou uma mensagem à sua equipe, pedindo “um modelo que foi efetivado no MS [Ministério da Saúde]”.

No mês anterior, ele mandou uma mensagem dizendo que teria reuniões com técnicos da pasta que, segundo ele, teriam o “poder de acatar a execução do projeto”.

Conforme o inquérito, Antônio Carlos Camilo Antunes viajou aos Estados Unidos e à Colômbia para buscar fornecedores de canabidiol.

Leia também: As 40 visitas da amiga de Lulinha a órgãos do governo Lula





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