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Pivetta defendeu que qualquer decisão sobre o assunto seja construída com participação do funcionalismo, bem como de outros setores da sociedade
Candidato à reeleição, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sinalizou que pretende abrir uma negociação com os servidores públicos para discutir o passivo de quase 20% acumulado na Revisão Geral Anual (RGA).
Se eleito, o republicano prometeu colocar as perdas salariais dos últimos anos na mesa, mas condicionou uma eventual solução à capacidade financeira do Estado.
A posição foi apresentada nesta segunda-feira (31), durante entrevista à Rádio Jovem Pan.
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Pivetta defendeu que qualquer decisão sobre o assunto seja construída com participação do funcionalismo, bem como de outros setores da sociedade.
“Então, nós vamos discutir esse assunto com transparência. A Gisela [Simona, candidata a vice] é a figura que vai trazer isso para a mesa. Vamos discutir com transparência, com todos os segmentos da sociedade, inclusive os servidores”, disse.
O passivo é uma reivindicação antiga do funcionalismo estadual.
Levantamento elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apresentado em 2025, apontou que as perdas acumuladas entre 2017 e 2025 chegaram a 18,87% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e a 19,52% quando considerado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No intervalo analisado, a inflação acumulada alcançou 57,18% pelo INPC e 58,03% pelo IPCA.
Já os reajustes concedidos aos servidores estaduais somaram 32,22%.
Parte da diferença está relacionada aos anos em que não houve concessão da RGA.
Conforme o estudo, o funcionalismo ficou sem a revisão em 2018, 2019 e 2021.
Em outros exercícios, os índices aplicados ficaram abaixo da inflação registrada.
A cobrança voltou a ganhar força no início de 2026, quando servidores pressionaram o então governador Mauro Mendes (União) pelo reconhecimento das perdas.
Após articulação de deputados estaduais da base governista, o reajuste deste ano, inicialmente previsto em 4,26%, correspondente ao IPCA, foi elevado para 5,40%.
O percentual incorporou 1,14 ponto percentual, além da inflação considerada para a revisão.
A ampliação, entretanto, não significou o reconhecimento integral do passivo dos anos anteriores.
Na ocasião, o Governo sustentou que assumir as perdas acumuladas poderia pressionar as contas públicas e comprometer a capacidade de investimento do Estado.
Pivetta agora admite colocar o tema em negociação.
Apesar de defender responsabilidade fiscal antes da definição de qualquer pagamento, o candidato afirmou não se opor a uma política de remuneração que valorize o funcionalismo.
“Eu não tenho nada contra pagar bem o trabalhador. Eu sou empresário e, antes de chegar na política, eu fiz meu pé de meia e sempre tive muita gente comigo trabalhando e ganhando bem,. Porque se não pagar bem não tem jeito”, afirmou.
ENDIVIDAMENTO DOS SERVIDORES – Durante a entrevista, Otaviano Pivetta também colocou outro problema relacionado ao funcionalismo entre as preocupações de uma eventual gestão: o nível de endividamento dos servidores.
Para o candidato, a situação financeira das famílias precisa ser observada para além da discussão específica sobre a recomposição salarial.
“O problema que nós temos hoje, maior do que esse [RGA], é o endividamento dos servidores. E isso merece uma reflexão muito grande. Nós estamos olhando para isso com muito carinho, com muito respeito. O nosso povo brasileiro em gera – e o servidor também – está muito endividado. E isso causa um descompasso e uma inquietude, falta de paz. Quem tem dívida e não consegue pagar a dívida, não tem paz. Eu me coloco no lugar de cada um, porque eu passei muito por isso já”, comentou.





