O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia dar início a uma investigação sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A informação foi divulgada inicialmente pelo portal UOL e confirmada por O Antagonista. A Polícia Federal (PF) entregou a Mendonça, relator das investigações sobre Vorcaro e o Master, um relatório das mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro, e o ponto que mais chamou a atenção do relator é a citação de um suposto pedido de proteção da PF e da Procuradoria-Geral da República a Vorcaro.
Na mensagem, o ex-dono do Master afirma que precisa da proteção de Andrei e Paulo. Para investigadores, seria uma referência direta ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mendonça quer também entender o contrato de honorários no valor de 129 milhões de reais para a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre.
Além de avaliar se investigar as mensagens e o contrato é realmente necessário, Mendonça analisa qual seria a melhor forma de dar início a essa investigação, pois seria inédita e geraria um constrangimento interno no STF.
O ministro estuda se o pedido da investigação deveria ser remetido diretamente à presidência do STF, hoje ocupada por Edson Fachin. Isso porque a Corregedoria Nacional de Justiça não abarca os ministros do Supremo e haveria um precedente: o caso Marco Buzzi.
A denúncia contra o ministro do STJ, por importunação/assédio sexual, chegou ao conhecimento do presidente da Corte, Herman Benjamin. Em 4 de fevereiro de 2026, o plenário do STJ, reunido extraordinariamente, decidiu por unanimidade instaurar uma sindicância contra Buzzi. Foram sorteados três ministros para conduzi-la.
Em 10 de fevereiro, novamente por unanimidade, o plenário decidiu pelo afastamento cautelar dele enquanto a sindicância prosseguia. Depois do relatório da sindicância, em 14 de abril, o plenário decidiu também por unanimidade abrir o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e manter o afastamento.
Já na frente criminal, houve um pedido da Procuradoria-Geral da República para abertura de inquérito, mas ele foi dirigido ao STF, porque ministro do STJ tem foro no Supremo. O relator, Nunes Marques, acolheu o pedido da PGR em 14 de abril e determinou a abertura do inquérito pela Polícia Federal (PF).





