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Documentos citam rota de R$ 14 mi até holding dos Mendes, diz Taques


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Em live, nesta quinta (3), Pedro Taques apresenta documentos sobre operações realizadas após acordo entre Estado e O

O candidato ao Senado pelo PSB, Pedro Taques apresentou, nesta quinta-feira (3), uma sequência de documentos públicos que, segundo ele, permitiria reconstruir o caminho percorrido por parte dos recursos envolvidos no acordo de R$ 308,1 milhões firmado pelo Governo de Mato Grosso com a Oi S/A, em 2024.

Esse caminho levaria até uma operação de R$ 14 milhões envolvendo a Minerbrás Mineração Ltda., empresa ligada à família do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que é candidato ao Senado.

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Durante uma live seguida de entrevista, Taques exibiu registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Portal da Transparência, Junta Comercial, documentos bancários e trechos da Petição nº 16.382/DF, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

O material apresentado coincide, em grande parte, com o levantamento documental analisado pelo DIÁRIO.

INFO caso oi

 

Taques foi além da cronologia.

Afirmou que os documentos demonstrariam que parte do dinheiro público chegou às empresas da família Mendes, e classificou a operação envolvendo o Fundo Venture e a Minerbrás como “uma simulação financeira”.

Essas são acusações feitas pelo candidato, que precisam ser distinguidas dos fatos objetivamente demonstrados pelos documentos.

Os registros confirmam uma sequência de movimentações financeiras.

O ponto ainda não demonstrado pelo material apresentado é justamente o elo central da acusação: a origem dos R$ 18,6 milhões aportados no Fundo Venture, no início de junho de 2024.

ACORDO DE R$ 308 MILHÕES – A cronologia começa em 11 de abril de 2024, quando Mato Grosso firmou acordo de R$ 308.123.595,50 relacionado à operadora de telefonia Oi.

Do total, R$ 154.061.797,72 foram destinados ao Lotte World Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.

Os pagamentos ocorreram em oito parcelas, entre maio e novembro daquele ano, por meio da Procuradoria-Geral do Estado e sob a rubrica “Cumprimento de Sentenças Judiciais”.

A primeira parcela, de R$ 30.812.359,55, foi paga em 2 de maio.

Em 28 de maio, outros R$ 20.358.166,12 foram transferidos, elevando o acumulado naquele momento para R$ 51.170.525,67.

Ao tratar do acordo, Taques citou decisão do ministro Flávio Dino, no STF, que utiliza as expressões “acordo aparentemente fraudulento” e “indício de prejuízo ao erário”.

A decisão também determinou medidas de bloqueio até o limite de R$ 308,1 milhões.

Isso representa uma avaliação produzida no âmbito da investigação, e não uma condenação definitiva dos envolvidos.

OS R$ 18,6 MILHÕES – É a partir do fim de maio que surge o ponto mais importante para compreender a tese apresentada por Pedro Taques.

Em 31 de maio de 2024, o Fundo Venture registrava apenas R$ 3.688,86 em caixa.

Entre 3 e 6 de junho, segundo os relatórios analisados, o fundo recebeu aproximadamente R$ 18,6 milhões de um cotista.

A identidade desse investidor não aparece nos documentos apresentados à imprensa.

Taques sustenta que descobrir quem realizou esse aporte é fundamental para fechar o caminho do dinheiro.

Durante a live, afirmou que o STF já requisitou informações capazes de identificar o cotista, assim como as contas de origem e destino das movimentações.

Esse é também o ponto que impede, neste momento, uma conclusão documental de que os recursos posteriormente destinados à Minerbrás tenham vindo diretamente dos R$ 308,1 milhões pagos pelo Estado, no acordo relacionado à Oi.

CINCO DIAS DE JUNHO – Taques concentrou a apresentação em uma sequência ocorrida entre 7 e 12 de junho de 2024.

No dia 7, a Minerbrás Mineração Ltda. realizou cadastro na Master/Sefer para participar da operação que resultaria no recebimento de recursos do Venture.

A ficha reproduzida no levantamento informa patrimônio líquido de aproximadamente R$ 12,47 milhões, faturamento mensal de R$ 1 milhão e ausência de endividamento financeiro.

Luís Antonio Taveira Mendes, filho do ex-governador Mauro Mendes, aparece como administrador.

Quatro dias depois, em 11 de junho, a Minerbrás recebeu R$ 14 milhões do Venture, mediante operação lastreada em 55 notas promissórias, cujo valor de face totalizava R$ 19,278 milhões.

Na live, Taques chamou a operação de “empréstimo falso” e afirmou que ela teria sido utilizada para dar aparência formal à movimentação dos recursos.

Essa classificação constitui acusação do candidato.

Os documentos demonstram a existência da operação, mas sua eventual natureza fraudulenta depende de conclusão das autoridades responsáveis pela investigação.

R$ 13,2 MILHÕES EM 24 HORAS – A movimentação seguinte ocorreu no dia 12 de junho.

Documento bancário reproduzido no levantamento registra uma transferência de R$ 13,2 milhões da Minerbrás para a Sollo Participações, descrita no material como holding da família.

A operação teria sido realizada às 9h13.

O valor corresponde a 94,3% dos R$ 14 milhões recebidos pela Minerbrás, no dia anterior.

Durante a apresentação, Pedro Taques afirmou que a Sollo Participações tem, entre seus integrantes, filhos de Mauro Mendes e utilizou essa transferência como principal fundamento para sustentar sua acusação de que dinheiro relacionado ao Caso Oi teria chegado à família do ex-governador.

O candidato fez ainda um desafio público a Mendes: pediu que ele apresente os extratos referentes aos dias 11 e 12 de junho de 2024, período em que ocorreram o crédito de R$ 14 milhões à Minerbrás e a transferência de R$ 13,2 milhões à Sollo.

NOTAS NÃO FORAM PAGAS – Outro elemento destacado por Taques aparece nos demonstrativos posteriores do Venture.

Segundo o levantamento, as 55 notas promissórias não chegaram a ser pagas.

Em dezembro de 2024, o crédito foi integralmente baixado como perda nos demonstrativos do fundo, apesar de o relatório reproduzido no material registrar inadimplência zero.

Taques interpretou a baixa como um “perdão” da dívida e usou o episódio para reforçar sua acusação de que a operação teria sido simulada.

Mais uma vez, essa é a interpretação apresentada pelo candidato, e não uma conclusão judicial definitiva.

Os documentos, contudo, tornam relevante esclarecer por que um crédito de R$ 14 milhões foi baixado, quais procedimentos de cobrança foram realizados e quais fundamentos contábeis e financeiros justificaram a operação.

STF QUER SABER QUEM ESTÁ POR TRÁS DOS FUNDOS – A resposta para a principal lacuna da sequência pode estar justamente nos documentos requisitados pelo Supremo.

Na decisão de 24 de julho de 2026, no âmbito da Petição nº 16.382/DF, o ministro Flávio Dino determinou que fossem entregues fichas cadastrais, extratos de movimentação das cotas, identificação dos beneficiários finais, contas de origem e destino dos aportes e resgates e extratos bancários das contas vinculadas aos fundos.

Pedro Taques afirmou na live que o prazo concedido pelo STF já transcorreu e que essas informações teriam sido encaminhadas ao STF.

É a identificação do cotista que aportou R$ 18,6 milhões no Venture que pode confirmar ou afastar o elo financeiro defendido pelo candidato.

Até agora, a documentação estabelece que houve pagamentos públicos decorrentes do acordo; que o Venture recebeu R$ 18,6 milhões de um cotista não identificado no material; que o fundo realizou operação de R$ 14 milhões com a Minerbrás; e que, menos de 24 horas depois, R$ 13,2 milhões foram transferidos da Minerbrás para a Sollo Participações.

O salto que ainda precisa ser documentalmente demonstrado é que o dinheiro aportado no Venture tenha origem nos recursos pagos pelo Governo de Mato Grosso no acordo da Oi.

TAQUES LEVA CASO PARA A CAMPANHA – Candidato ao Senado, Taques rejeitou, durante a entrevista, a acusação de que estaria explorando o episódio apenas por causa da eleição.

Segundo ele, questionamentos sobre o acordo começaram ainda em 2024 e as investigações sobre fundos ligados ao Banco Master antecedem a campanha de 2026.

Ele também afirmou que pretende encaminhar novas informações à Procuradoria-Geral da República. E sustentou possuir indícios sobre outros caminhos percorridos pelos recursos, que não foram detalhados na apresentação desta quinta-feira.

Taques fez ainda ataques pessoais e acusações criminais contra Mauro Mendes, durante a transmissão.

OUTRO LADO – O DIÁRIO procurou a assessoria do ex-governador Mauro Mendes, para que ele se manifestasse sobre as acusações apresentadas por Pedro Taques e sobre as operações financeiras envolvendo a Minerbrás e a Sollo Participações.

Também foram solicitados esclarecimentos sobre a transferência de R$ 13,2 milhões e sobre a alegação de que recursos relacionados ao acordo da Oi teriam chegado a empresas da família Mendes.

Até o fechamento desta edição, a assessoria não havia respondido aos questionamentos.

O espaço permanece aberto para manifestação.





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