Início NACIONAL Fachin age como bedel, mas constrói blindagem para Mendonça

Fachin age como bedel, mas constrói blindagem para Mendonça


Com essa pecha colada à capa de magistrado (e com um julgamento por abuso de autoridade já batendo à sua porta no próprio tribunal para o dia 23 de setembro), atos defendidos por Mendonça teriam menos chances de prosperar. Seriam mais facilmente desqualificados como vingança partidária, chicana bolsonarista ou puro cálculo eleitoral.

É aí que a mão pesada de Fachin opera o milagre da blindagem.

Ao evocar o regimento interno para puxar o caso para a Presidência da Corte e pautar a decisão do plenário ao vivo para esta terça (15), o presidente do Supremo retira o processo da linha de tiro político. É mais difícil carimbar Fachin, visto como um magistrado metódico e avesso ao palanque, como operador eleitoral.

Ao agir como bedel severo, Fachin não salvou o tribunal de um sangramento descontrolado nas mãos de um relator sob suspeita, mas garantiu mais chances às teses defendidas por Mendonça. Se o plenário decidir abrir investigação contra Moraes, a decisão virá sob a chancela institucional da chefia do STF.

Isto não significa que Moraes não deva ser investigado por tudo o que aconteceu, inclusive pelo contrato de R$ 130 milhões de sua esposa com o próprio Vorcaro. Mas há duas questões preocupantes: o uso da corte para corrupção, de um lado, e instrumentalização da corte para manipulação das eleições, do outro — sendo que parece que só a primeira comove muita gente.

Tampouco significa que Fachin tenha lado na disputa eleitoral, não acredito que tenha. O que estou fazendo aqui é analisar a consequência do ato.





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