O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), fizeram uma dobradinha para estabelecer o ‘grau máximo de sigilo’ às investigações sobre o Banco Master após a revelação das primeiras informações sobre um suposto vínculo entre o magistrado e o grupo do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em dezembro do ano passado, quando Toffoli era o relator do caso, surgiram informações sobre a viagem feita pelo ministro em um jatinho ao lado do advogado Augusto Arruda Botelho, ex-secretário nacional de Justiça, para assistir à final da Taça Libertadores em Lima, no Peru.
Na época, Botelho era advogado do então diretor de compliance do Banco Luiz Antonio Bull, que chegou a ser preso durante a Operação Compliance Zero.
Em 22 de dezembro do ano passado, mais precisamente às 14h57, Paulo Gonet apresenta uma petição a Toffoli em que ele “requer a autuação de procedimento autônomo, em apartado, com classificação de sigilo no grau máximo previsto (nível 4)”. Na peça, Gonet não apresenta argumentos nem fala sobre os motivos para estabelecer esse nível de sigilo das investigações.
Na época, o caso já tramitava sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Mas o pedido da PGR foi considerado atípico até mesmo por integrantes da procuradoria.
No dia seguinte, Toffoli estabelece o grau máximo de sigilo às investigações sobre o caso Master, sem apresentar argumentos ou mesmo alegações para tomar essa medida.
O despacho de Toffoli é sucinto: “Determino à Secretaria Judiciária que estabeleça o sigilo requerido pelo Procurador-Geral da República, fazendo nova conclusão ao Ministério Público Federal”.
Em 5 de dezembro de 2025, após a primeira fase da Operação Compliance Zero, a 8ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária de São Paulo determinou a suspensão do trâmite processual em decorrência de decisão de Dias Toffoli, que requereu a relatoria dos autos processuais. A remessa dos autos ocorreu em 23 de dezembro, exatamente após a decretação do sigilo máximo estabelecido por Toffoli.
Durante as investigações, em 11 de fevereiro, houve uma nova decisão de Toffoli pedindo o desmembramento específico de dois documentos das investigações. Ambos foram alvo de petições autônomas. No despacho, Toffoli determinou o cumprimento com “urgência”.





