As convenções partidárias realizadas nesta semana produziram dois cenários distintos na disputa pelo Governo de Mato Grosso. De um lado, o União Brasil confirmou apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), mas deixou como herança um partido dividido após a derrota do senador Jayme Campos na disputa interna. Do outro, a candidatura da médica Natasha Slhessarenko (PSD) foi oficializada por uma frente de oito partidos que tenta transformar a unidade política em vantagem eleitoral.
Embora ainda apareça atrás dos principais adversários nas pesquisas de intenção de voto, o grupo de centro-esquerda avalia que a construção de um palanque unificado representa seu principal diferencial na campanha.
A coligação reúne a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), PSD, PDT, PSB e a Federação Rede-PSOL, formando um dos maiores blocos partidários da eleição estadual. Durante a convenção, as lideranças destacaram que as divergências internas foram superadas para priorizar um projeto comum para Mato Grosso e para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado estadual Lúdio Cabral afirmou que a experiência das eleições de 2022 serviu de aprendizado e que a principal preocupação desta vez foi construir chapas proporcionais mais competitivas.
Segundo ele, a expectativa é ampliar a representação da federação na Câmara dos Deputados, elegendo Rosa Neide e mais um parlamentar federal, além de aumentar a bancada na Assembleia Legislativa.
A presidente estadual do PT, Rosa Neide, também ressaltou que o processo de negociação entre as legendas durou cerca de dois meses e permitiu acomodar diferentes correntes políticas em torno de um mesmo projeto.
“Estamos construindo juntos”, resumiu durante a convenção ao destacar que os oito partidos conseguiram superar divergências para formar uma única frente eleitoral.
Contraste com o campo governista – O ambiente registrado nas convenções contrastou com o vivido pelo principal adversário.
No União Brasil, a decisão de apoiar Otaviano Pivetta foi precedida por uma disputa interna que terminou com a derrota de Jayme Campos e abriu uma sequência de novas articulações envolvendo o senador. Desde então, diferentes grupos políticos passaram a disputar seu apoio, evidenciando que parte das lideranças ainda busca reorganizar o tabuleiro eleitoral antes do encerramento das convenções.
Enquanto isso, o bloco de Natasha procura explorar o discurso da estabilidade política.
Durante os discursos da convenção, lideranças como Pedro Taques, Carlos Fávaro e Diogo Botelho enfatizaram que o grupo conseguiu construir consensos internos e evitar disputas públicas pela composição da chapa, utilizando esse argumento como contraponto às divergências registradas entre partidos do campo de centro-direita.
Desafio agora é transformar união em votos – Apesar da demonstração de unidade, dirigentes do bloco reconhecem que o maior desafio começa agora.
Historicamente, a centro-esquerda enfrenta dificuldades para converter organização partidária em desempenho eleitoral em Mato Grosso. Em 2022, por exemplo, Rosa Neide foi a candidata mais votada para a Câmara dos Deputados, mas acabou não sendo eleita em razão do desempenho insuficiente da chapa proporcional.
A estratégia para 2026 é justamente evitar que a história se repita, fortalecendo as nominatas para deputado federal e estadual e ampliando o tempo de campanha conjunta entre os partidos.
No campo majoritário, a aposta é que a unidade permita à candidatura de Natasha crescer ao longo da campanha, sobretudo quando começar o horário eleitoral e o debate entre os candidatos ganhar maior visibilidade.
Se a estratégia será suficiente para romper a hegemonia dos grupos tradicionais da política mato-grossense, somente a campanha mostrará. Mas, ao menos na largada oficial da disputa, a frente de centro-esquerda conseguiu apresentar aquilo que seus adversários ainda procuram construir: um discurso unificado e uma chapa formada sem rupturas públicas.





