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Antes das convenções, siglas revelam como chegarão à reta final


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As convenções até agora serviram menos para homologar candidaturas do que para medir força política, testar alianças e revelar o estágio em que cada grupo chega à reta final das articulações

A campanha eleitoral ainda não começou oficialmente, mas a sucessão ao Governo de Mato Grosso já entrou em sua fase mais importante.

As convenções do União Brasil, marcada para 30 de julho, e do Republicanos, em 5 de agosto, além da definição do MDB sobre o futuro político da deputada estadual Janaina Riva, poderão alterar significativamente o desenho da disputa pelo Palácio Paiaguás.  

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As convenções realizadas até agora serviram menos para homologar candidaturas do que para medir força política, testar alianças e revelar o estágio em que cada grupo chega à reta final das articulações.  

As pesquisas também ajudam a explicar esse momento.

Levantamentos do Real Time Big Data colocam o senador Wellington Fagundes (PL) na liderança das intenções de voto para o Governo.

Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece em trajetória de crescimento, enquanto Jayme Campos (União Brasil) mantém competitividade, quando é incluído nos cenários.

O quadro indica que Wellington larga na frente, mas que o resultado da eleição ainda dependerá, em grande medida, das alianças que serão consolidadas nas próximas semanas.  

Mais do que os discursos, portanto, são os bastidores que começam a definir o rumo da sucessão.  

PL BUSCA TRANSFORMAR CANDIDATURA EM UNIDADE –  A convenção do PL oficializou a candidatura de Wellington Fagundes, mas também mostrou que o principal desafio do partido continua sendo interno.  

O comparecimento reduzido de prefeitos da legenda alimentou questionamentos sobre o grau de mobilização da base neste início de campanha.

Wellington reagiu reforçando o discurso de fidelidade partidária e cobrando alinhamento das lideranças, deixando claro que sua prioridade será manter o partido unido ao longo da disputa.  

Embora tenha negado publicamente qualquer negociação para formar chapa com sua nora Janaina Riva, o senador viu crescer, nos bastidores, as especulações sobre uma aproximação entre o MDB e o grupo governista.  

Ao mesmo tempo, prefeitos do próprio PL começaram a seguir caminho diferente.

Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, e Edilson Antônio Piaia, de Campo Novo do Parecis, declararam apoio à pré-candidatura de Otaviano Pivetta.  

Outro fato politicamente relevante foi a ausência do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), na convenção do partido.

Embora tenha afirmado que seguirá a decisão da legenda e apoiará Wellington, Abilio mantém boa interlocução com Pivetta e participou de agendas institucionais ao lado do governador.  

Situação semelhante vive a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), que também ainda não declarou apoio ao candidato de seu partido. 

Assim, justamente as duas maiores administrações municipais comandadas pelo PL permanecem sem um alinhamento político explícito com a candidatura de Wellington, revelando que a unidade da legenda ainda está em construção.  

FLÁVIA E PIVETTA AMPLIA PROTAGONISMO –  Se há duas lideranças que ganharam espaço nas últimas semanas, foram Flávia Moretti e Otaviano Pivetta.  

A prefeita de Várzea Grande transformou seu eventual apoio em um dos ativos políticos mais cobiçados da campanha, ao anunciar que somente tomará uma decisão depois de ouvir as propostas dos candidatos para o município.  

Ao mesmo tempo, passou a dividir protagonismo administrativo com o Governo do Estado na execução da Aliança pela Água, programa que prevê investimentos de até R$ 60 milhões para enfrentar a histórica crise de abastecimento do município.  

A parceria institucional não representa, necessariamente, alinhamento eleitoral.

Mas aproximou politicamente Flávia e Pivetta, justamente no momento em que Várzea Grande se consolida como um dos principais campos de disputa da sucessão.  

Pivetta, por sua vez, também mudou sua estratégia política.  

Ao defender que Mato Grosso fique fora das negociações nacionais entre Republicanos e PL, deixou claro que pretende construir sua candidatura a partir das lideranças estaduais, ampliando a aproximação com prefeitos de diferentes partidos e reduzindo a dependência dos acordos firmados em Brasília.  

UNIÃO FARÁ MUITO MAIS DO QUE ESCOLHER UM CANDIDATO – Entre todas as convenções que ainda serão realizadas, nenhuma desperta tanta expectativa quanto a do União Brasil.  

Na prática, o partido decidirá entre dois projetos completamente diferentes.  

Se confirmar a candidatura de Jayme Campos, a eleição ganhará um terceiro concorrente competitivo ao Governo, fragmentando o grupo governista e obrigando todas as forças políticas a redesenharem suas estratégias.  

Se optar por manter o compromisso firmado por Mauro Mendes com Otaviano Pivetta, o União Brasil ingressará formalmente na coligação governista, oferecendo ao governador a maior estrutura partidária do Estado, ampla presença municipal e forte capilaridade eleitoral.  

A convenção, porém, também servirá para medir a força política de Mauro Mendes.  

Caso consiga conduzir o partido em torno de Pivetta, reafirmará sua condição de principal articulador do grupo governista, mesmo após deixar o Palácio Paiaguás.  

Se prevalecer a tese defendida por Jayme Campos, ficará demonstrado que o União Brasil passou a conviver com dois polos de liderança.  

Mesmo que Mauro vença a disputa interna, terá outro desafio pela frente: administrar as consequências políticas da decisão.

Jayme percorreu o Estado durante meses, mobilizou prefeitos e construiu uma pré-candidatura consistente.

Evitar que eventuais insatisfações prejudiquem a campanha será uma tarefa tão importante quanto vencer a convenção.  

JANAINA TORNOU-SE A PRINCIPAL INCÓGNITA DA ELEIÇÃO – Se o União Brasil decidirá o rumo da principal aliança governista, o MDB poderá redefinir toda a composição das chapas majoritárias.  

Até poucas semanas atrás, a deputada estadual Janaina Riva tratava a candidatura ao Senado como prioridade.  

Nas últimas horas, porém, cresceram significativamente as especulações de bastidores sobre uma possível composição como candidata a vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta.  

Até o momento, não há confirmação oficial do MDB nem da própria deputada.  

Mesmo assim, poucos movimentos despertam tanta atenção entre os partidos.  

Caso a composição se confirme, Janaina deixará a disputa pelo Senado para integrar a principal chapa governista, fortalecendo o Republicanos e ampliando a participação do MDB em um eventual novo Governo.  

Ao mesmo tempo, sua saída da corrida ao Senado obrigará todos os partidos a recalcular suas estratégias para uma das disputas mais importantes de 2026.  

Se mantiver o projeto de disputar o Senado, o MDB preservará uma candidatura própria de grande densidade eleitoral e manterá aberta uma das principais incógnitas da sucessão.  

O REPUBLICANO ENCERRARÁ O CICLO – A convenção marcada para 5 de agosto deverá concluir a fase das definições partidárias.  

Além de homologar a candidatura de Otaviano Pivetta, permitirá medir o tamanho da coalizão construída pelo governador, ao longo dos últimos meses.  

Se União Brasil e MDB confirmarem as composições hoje discutidas nos bastidores, Pivetta iniciará a campanha liderando uma ampla frente política.  

Caso isso não aconteça, a disputa permanecerá mais aberta do que indicam as primeiras pesquisas.  

Depois das convenções começa outra eleição.  Até aqui, a sucessão foi dominada pelos bastidores.  

As próximas semanas definirão o tamanho das alianças, o papel de Mauro Mendes, o futuro político de Jayme Campos, a posição de Janaina Riva e a capacidade de Wellington Fagundes de manter unido o PL.  

Só então começará uma nova etapa da disputa.  

A partir das convenções, o foco deixará de ser apenas a engenharia partidária e passará a ser a capacidade de cada candidato transformar acordos políticos em intenção de voto.

É nesse momento que a sucessão deixará definitivamente os bastidores para entrar nas ruas.





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