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Aval da Anvisa dá largada para emagrecedores baratos; quem no mercado sai ganhando?


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da primeira caneta emagrecedora do Brasil nesta terça-feira (26), após a expiração da patente da semaglutida em 20 de março. Para os mercados, o lançamento do medicamento pode representar uma notícia positiva para o varejo e o setor farmacêutico como um todo, mas algumas empresas devem ganhar mais (ou antes) que as outras.

O Ozivy, da EMS, é a primeira cópia análoga do medicamento biológico original, Ozempic/Wegovy. Para o Santander, essa iniciativa pode abrir caminho para aprovações adicionais de produtos de semaglutida atualmente em análise no país.

A comercialização do produto ainda depende da aprovação do preço máximo pela CMED e da decisão de lançamento da empresa. Todo esse processo deve levar, em média, um mês.

De acordo com o banco, a Hypera (HYPE3) está entre as três primeiras empresas a receber aprovação regulatória e o mercado de semaglutida oferece um potencial de alta para a companhia. A estimativa, entretanto, não é tão surpreendente.

Conforme os analistas, o medicamento deve representar uma contribuição incremental de 3% e 4% para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) em 2027 e 2028, respectivamente.

O banco Goldman Sachs estima que as vendas do Ozivy possam atingir pelo menos R$ 500 milhões, equivalentes a cerca de 1,2 milhão de unidades. Esse valor considera os próximos 12 meses após o lançamento, segundo comentários da própria administração da EMS.

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Neste momento, a Anvisa ainda possui seis produtos de semaglutida em análise. A Hypera pode estar entre as próximas empresas a obter aprovação no curto e médio prazo. Segundo os analistas do Goldman, a contribuição material os medicamentos GLP-1 para o crescimento da receita líquida da companhia deve acontecer apenas em 2027.

Redes de farmácias

Com um preço de tratamento mais baixo em um contexto de alta elasticidade da demanda, as redes de farmácia devem se beneficiar mais da semaglutida genérica. De acordo com JP Morgan, os novos medicamentos possibilitarão, ainda, uma formalização do mercado e margens provavelmente maiores em comparação à versão original de marca.

A expectativa é de que o novo medicamento represente cerca de 25–30% para as canetas emagrecedoras brasileiras, contra os 10–15% para a semaglutida de marca. A Anvisa destacou que o Ozivy não é considerado um genérico segundo as regras brasileiras, mas sim registrado como um novo medicamento.

De maneira ampla, a aprovação também representa o primeiro passo para que farmacêuticas locais registrem suas próprias versões “genéricas”. Para os analistas do banco, isso deve proporcionar um potencial aumento de receita já no segundo semestre deste ano.

Embora os preços ainda não tenham sido divulgados, o JP estima uma faixa de R$ 400–600 por dose. Considerando as expectativas de margem, esse valor deve sustentar um lucro bruto em caixa por caneta semelhante ao produto de marca, apesar do preço cerca de 50% menor.



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