A imprensa brasileira passou meses tratando das relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro por conta do inexplicável — e ainda inexplicado — filme Dark Horse, que levantou suspeitas por seu patrocínio milionário e secreto.
O caso — e a atenção que ele recebeu — desgastou, com razão, a imagem do filho 01 de Jair Bolsonaro, que teve sua disparada nas pesquisas de intenção de voto interrompida.
Agora, a imprensa presta atenção ao que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fazia nos últimos anos pelos gabinetes de Brasília, e quem se desgasta, com razão, é seu pai, que tenta a reeleição.
Curiosamente, no noticiário lulista, quem leva a culpa pelas relações de Lulinha com Roberta Luchsinger, Fernando Bittar e Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, é a imprensa, assim como tinha ocorrido quando os jornalistas noticiavam os rolos da família Bolsonaro com Vorcaro.
Os apoiadores de Lula reclamam nas redes sociais e nas publicações alinhadas ao governo que os jornalistas estão dando muita atenção ao caso, como se Lulinha não merecesse as manchetes.
E reclamam também dos vazamentos, como se o noticiário do caso de Flávio e Vorcaro também não tivesse sido fruto de mensagens vazadas a partir das investigações da Polícia Federal.
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Brilha uma estrelinha
Mas as mensagens expostas pela imprensa não deixam muito espaço para duvidar da existência de tráfico de influência, que, aliás, não é uma suspeita nova quando se trata de Lulinha. Até o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), teria sido contemplado (ele nega).
A campanha de Lula à reeleição tenta esconder o que Lula fez nos últimos anos, inclusive durante o terceiro mandato, ao reiniciar Lula para as configurações de fábrica, mas não é apenas Lula que está lá hoje, como dizia o jingle antigo, e não é apenas sua estrela que brilha.
As mensagens apreendidas a partir da investigação do escândalo do INSS sugerem que Lulinha também está lá, na boca do gabinete do pai, e que sua estrelinha também brilhou ao longo do atual governo.
O verdadeiro problema
Assim como ocorreu nos casos do sítio de Atibaia e do tríplex do Guarujá, pelos quais Lula foi condenado e depois beneficiado pela anulação dos processos, o problema da história de Lulinha não é exatamente de valores ou contratos firmados ou não, mas o que os indícios apontam.
As mensagens trocadas entre Lulinha e seus sócios, como descreve Luchsinger em uma das conversas, chamam a atenção para o passado recente do presidente, remendado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele pudesse voltar a concorrer à Presidência.
Esse, além da péssima condução da economia brasileira, é o verdadeiro problema da campanha de Lula à reeleição, e não o fato de a imprensa noticiar os detalhes das investigações.
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