Início GERAL Candidatos travam disputa paralela pela segunda escolha ao Senado

Candidatos travam disputa paralela pela segunda escolha ao Senado


Janainra Riva, Pedro Taques, Margareth Buzetti e José Medeiros

 A eleição para as duas vagas de Mato Grosso no Senado ganhou uma disputa dentro da própria disputa. Além de convencer o eleitor a escolhê-los como candidato preferencial, concorrentes passaram a mirar abertamente a segunda escolha, voto que pode alterar a composição da bancada mesmo quando a primeira preferência já está consolidada.

O movimento mais explícito partiu de Margareth Buzetti (PP). Embora faça parte de uma coligação diferente, a candidata pediu diretamente aos eleitores de Janaina Riva (MDB) que considerem seu nome para o segundo voto. A estratégia procura estabelecer uma ponte baseada em pautas comuns, principalmente defesa das mulheres e proteção de crianças.

INFO senado segundo voto

 

Do outro lado, aliados de Wellington Fagundes (PL) passaram a cobrar justamente o movimento inverso de José Medeiros (PL): aproximar-se de Janaina para tentar receber o segundo voto de quem já escolheu a emedebista.

O candidato a vice-governador Reinaldo Morais (Novo) afirmou que a resistência de Medeiros à dobradinha pode custar votos ao próprio candidato do PL. Na avaliação dele, um eleitor de Janaina poderia naturalmente entregar a segunda escolha a Medeiros se ambos fizessem campanha conjunta.

Neste sábado (29), Eduardo Botelho (MDB) reforçou a mesma interpretação e afirmou que Medeiros é quem mais perde ao rejeitar a aproximação.

Os movimentos políticos encontram sinais nas pesquisas mais recentes. Quaest e MT Dados, que perguntaram separadamente pelo primeiro e pelo segundo votos, mostram que a ordem dos candidatos muda de uma escolha para outra.

MAURO É O PRIMEIRO VOTO – A maior diferença aparece com Mauro Mendes (União Brasil).

Na Quaest, Mauro alcança 36% quando o eleitor informa sua primeira escolha, mas cai para 12% no segundo voto. Janaina apresenta uma distribuição muito mais equilibrada: 19% no primeiro e 17% no segundo. Pedro Taques (PSB), ao contrário, cresce de 7% para 9%; Fávaro (PSD), de 4% para 7%; Medeiros mantém 6% nas duas posições; e Buzetti passa de 1% para 2%.

A diferença sugere que Mauro possui um eleitorado mais propenso a colocá-lo como prioridade. Janaina, por sua vez, aparece competitiva nas duas escolhas, enquanto Taques e Fávaro encontram parte relevante de sua força justamente depois de o eleitor apontar o primeiro nome.

O levantamento ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais e a pesquisa está registrada sob os números MT-04846/2026 e BR-00817/2026.

MT DADOS REPETE PADRÃO – A terceira rodada da MT Dados apresenta tendência semelhante em alguns pontos.

Mauro tem 32% no primeiro voto e 13% no segundo. Janaina registra 16% e 14%, respectivamente. Medeiros passa de 12% para 10%.

Dois candidatos, porém, crescem quando se considera a segunda escolha: Pedro Taques sobe de 7% para 10% e Margareth Buzetti dobra de 2% para 4%. Fávaro apresenta movimento contrário ao registrado pela Quaest: tem 10% na primeira opção e 6% na segunda.

A MT Dados ouviu 3.080 eleitores entre 15 e 20 de agosto, nas sete regiões do Estado. A margem de erro informada é de três pontos percentuais.

Apesar das diferenças metodológicas, duas características aparecem nos dois levantamentos: Mauro é muito mais forte como primeiro voto, enquanto Taques e Buzetti melhoram quando o eleitor passa à segunda escolha. Janaina mantém desempenho relativamente equilibrado entre as duas posições.

PARANÁ CONFIRMA ORDEM GERAL – O Paraná Pesquisas adotou outra metodologia: permitiu que cada entrevistado indicasse até dois candidatos, sem apresentar os resultados separados por ordem de escolha.

Nesse modelo, Mauro lidera com 52,3%, seguido por Janaina, com 33,7%. Medeiros tem 18,8%, Taques 16,5%, Fávaro 14,6% e Buzetti 1,8%. Como cada eleitor poderia indicar dois nomes, os percentuais não somam 100%.

O levantamento confirma a vantagem dos dois primeiros colocados, mas não permite determinar quantos eleitores colocam cada candidato como primeira ou segunda preferência.

Essa distinção é importante para interpretar a nova estratégia das campanhas.

QUEM HERDA O VOTO DE QUEM? – As pesquisas disponíveis permitem identificar quem é mais forte na primeira e na segunda escolha, mas não oferecem, nos resultados públicos consultados, um cruzamento indicando de qual candidato vem o segundo voto.

Assim, não é possível afirmar, por exemplo, quantos eleitores que escolhem Janaina em primeiro lugar votariam depois em Medeiros, Buzetti ou Taques. Da mesma forma, os números publicados não mostram quem recebe a segunda escolha dos eleitores de Mauro Mendes.

É justamente essa parcela que as campanhas começaram a disputar.

Para Buzetti, pedir nominalmente o voto complementar de Janaina significa tentar atravessar os limites das coligações. Para Medeiros, a discussão é diferente: ele integra a mesma aliança da emedebista, mas rejeita fazer campanha conjunta em razão das divergências com o MDB.

A disputa ainda ganhou um componente adicional com a propaganda de Medeiros contra candidatos que classificou como “melancia”. Abilio Brunini tentou afastar a interpretação de que a crítica tivesse Wellington Fagundes como alvo, em meio ao desgaste interno provocado pela aliança do PL com o MDB.

Com duas cadeiras disponíveis e dez candidatos registrados, o desafio deixou de ser apenas conquistar um eleitor. Passou a ser convencê-lo de que, mesmo depois de escolher seu candidato favorito, ainda há uma segunda vaga a preencher.





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