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Copom corta a Selic para 13,75%, mas Brasil segue com a maior taxa real de juros do mundo – CartaCapital


Pela quinta vez consecutiva, o Conselho de Política Monetária do Banco Central anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros durante reunião ocorrida nesta quarta-feira 16. Com isso, o patamar da Selic vai a 13,75% ao ano, o menor nível desde março de 2025. A decisão foi unânime.

Na ocasião, o Copom iniciou o ciclo de flexibilização monetária, reduzindo 0,25 ponto por reunião. O corte foi o primeiro desde 2024 e reduziu a Selic de 15%, patamar em que esteve por período prolongado, para 14,75%. Mesmo com a série de reduções, o Brasil termina esta quarta-feira com a maior taxa real de juros no mundo, de acordo com um monitoramento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence.

Para calcular o índice real, leva-se em conta a taxa “a mercado” — um referencial do que seriam juros tomados em uma operação real — e a inflação projetada para os 12 meses seguintes. O País tem uma taxa real de 8,45%, acima de Rússia, Colômbia e Indonésia.

O colegiado segue desfalcado, com dois diretores a menos desde 31 de dezembro do ano passado. Estão vagas as diretorias de Organização do Sistema Financeiro e na diretoria de Política Econômica. Os antigos responsáveis pelas pastas eram os últimos remanescentes do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Cabe ao presidente Lula (PT) encaminhar as indicações dos novos diretores ao Senado, mas isso só deve ocorrer depois das eleições, segundo integrantes do governo e da equipe econômica.

No comunicado divulgado após o encontro, o Copom afirma que a redução “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”. No ambiente externo, o texto destaca a “indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e sobre a política monetária em algumas economias avançadas”.

Enquanto no front doméstico, segundo a publicação, “o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”.

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, completa a nota.

Votaram pela redução, além do presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, os diretores Ailton Aquino, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, servindo de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle.

De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na semana passada, a inflação do acumulado de 12 meses está em 4,22%, abaixo do teto da meta. Em agosto, houve um recuo de 0,32%, maior do que o esperado pelo chamado mercado.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida. Juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, reduzindo pressões sobre os preços. Por outro lado, taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia.

Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro ao definir os juros cobrados dos consumidores. Quando a Selic é reduzida, a tendência é crédito mais barato, favorecendo consumo e investimentos estimulando a atividade econômica.

Confira os resultados de todos os encontros do Copom desde o início do ano passado:

  • janeiro: de 12,25% para 13,25%;
  • março: de 13,25% para 14,25%;
  • maio: de 14,25% para 14,75%;
  • junho: de 14,75% para 15%;
  • julho: manutenção em 15%;
  • setembro: manutenção em 15%;
  • novembro: manutenção em 15%;
  • dezembro: manutenção em 15%;
  • janeiro de 2026: manutenção em 15%; e
  • março: de 15% para 14,75%
  • abril: de 14,75% para 14,5%
  • junho: 14,5% para 14,25%
  • agosto: 14,25% para 14%.

Estão previstas duas reuniões do Copom ainda em 2026:

  • 3 e 4 de novembro
  • 8 e 9 de dezembro



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