Ednilson Guiar/O Livre
Em meio à crise no PRD, Mauro Mendes procurar “ensinar” o caminho da saída para o afilhado político Mauro Carvalho, também seu compadre
O mundo político em Mato Grosso ficou em polvorosa, na segunda-feira (30), com o anúncio da destituição do presidente da Executiva Regional do PRD, Mauro Carvalho.
O empresário, também suplente de senador, é compadre do (ainda) governador Mauro Mendes (União) e cotado para assumir a Casa Civil, em um Governo Otaviano Pivetta (Republicanos), que assume nesta terça-feira (31).
Leia também:
Cúpula do PRD retira Carvalho do comando e abre crise em MT
O desfecho pegou o grupo político de Mauro Mendes de “calças curtas”.
Tanto que, no fim da noite de ontem, a tendência dos exilados do PRD era de fazer o caminho inverso do inicialmente planejado. Ou seja, voltar para o União Brasil, partido do qual, pouco a pouco, muitos dos mais próximos do aida chefe do Poder Executivo foram saindo, diante da possibilidade de o governador e do senador Jayme Campos irem para o embate, por causa da disputa pela sucessão no Palácio Paiaguás.
Ao longo do seu segundo mandato (2023/2026), passando pela eleição municipal de 2024, Mauro e seu grupo político tramaram e conspiraram pela derrota do deputado Eduardo Botelho, na disputa pela Prefeitura de Cuiabá, apoiando por baixo dos panos e com o apoio de Otaviano Pivettacanos) o bolsonarista Abílio Brunini (PL).
Foi aí que o União Brasil em Mato Grosso começou a se fragmentar, estando às portas de se esfarelar por completo, por causa da disputa interna.
Mauro Mendes, após a turbulência desta segunda-feira negra, sentiu que o caso Mauro Carvalho-PRD frustrou o esquema de debandada, seu e de seu grupo no União Brasil. Seria uma válvula de escape para o confronto com Jayme Campos.
O senador, em entrevista à Rádio Cultura, no programa do jornalista Antero Paes de Barros, reafirmou que não existe marcha à ré em seu projeto e que vai disputar a convenção, se sagrar vencedorel e vai, “junto com o povo”, ganhar a eleição em Mato Grosso.
Mauro Carvalho, o artífice das estratagemas de Mauro Mendes no mundo político de Mato Grosso, não só será acolhido no União Brasil, partido ao qual já foi filiado, bem como, em um contragolpe do padrinho político, será alçado à condição de presidente da federação União Progressista (UB-PP), aprovada e homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dois vão marchar juntos pelos próximos quatro anos, em todas as disputas eleitorais.
Certo mesmo é que o estrago, dentro do PRD, que se apresentava como um “berço esplêndido” de Mauro e de seu grupo, diante do iminente confronto com Jayme Campos, está consolidado. A busca por responsáveis não deve chegar a nenhum lugar, pois o tempo urge. Ou seja, ainda nesta semana, há prazo legal para aqueles detentores de mandato eletivo proporcional (deputados federais e estaduais), que gozam do benefício da janela partidária para trocarem de legenda sem serem punidos.
Parece pouco diante da representatividade política de deputados – que somam 513 federais em todo o Brasil, com 8 em Mato Grosso, e 1.059 deputados estaduais nos 27 estados e Distrito Federal, sendo 24 no Estado.
Mas, é importante lembrar os valores dos fundos partidário (anualmente repassado às siglas) e eleitoral, que, neste ano, somam R$ 4,9 bilhões. Sem contar a distribuição do tempo do horário eleitoral gratuito, no rádio e na televisão, que, mesmo com as mídias sociais, ainda é um trunfo do qual os candidatos majoritários não abrem mão.
Não resta tempo para se digerir eventuais disputas nos bastidores da política partidária, que, na maioria das vezes, passa desapercebida da maioria da população. Que, no entanto, ao não participar de forma mais ativa desse processo, permite que os políticos promovam, ao seu bel-prazer, alterações que só interessam à cúpula e não a comunidade como um todo.





