Início GERAL Disputa cresce e torna mais provável uma eleição em dois turnos

Disputa cresce e torna mais provável uma eleição em dois turnos


Divulgação

Jayme e Mauro, aparentemente, não revelam divergência. A guerra é nos bastidoress do União Brasil

A disputa interna pela candidatura própria da Federação União Progressista chegou a um estágio em que o retrocesso pode ser mais danoso do que as atuais postulações.

A defesa da candidatura própria pelo senador Jayme Campos (União), reforçada em postagens em suas mídias sociais na segunda-feira (27), contrariando a defesa de Mauro Mendes, no apoio a coligação com o Republicanos do governador Otaviano Pivetta e que é manifestada de forma maniqueísta por aqueles que preferem se subjugar aos seus planos de se manter a qualquer custo no poder pelo poder, criou uma “fenda”.

Leia também:

Alckmin virá a MT para atuar como cabo eleitoral da campanha de Taques

A cisão entre os grupos políticos de Jayme e Mauro é algo inexorável. Portanto, independentemente do resultado, de convenção ou não, o União Brasil está rachado, com um gigantesco trincado de difícil reparação, o que remete a outra situação ainda mais danosa: as consequências disso nas eleições de outubro.

Quanto ao Partido Progressista, ele literalmente é o sentido da palavra: é um partido, um naco, um pedaço sem representação político eleitoral. Ou seja, voto que é bom, faz tempo que o PP ou seus candidatos não têm para apresentar ao eleitor mato-grossense.

Estes ingredientes demonstram que o cenário político eleitoral é o mais instável possível, em se tratando da Federação União Progressista (União e PP). O que pode representar um impulso para aqueles que se colocam como adversários políticos dos grupos liderados por Jayme e Mauro Mendes.

Aliás, o ex-governador prefere não entrar em rota de colisão e manda seus apaniguados, em entrevistas, esvaziarem uma eventual candidatura própria. Mas, em nível de Brasília, já tentou, de tudo que é jeito, que a a cúpula da federação União Progressista, presidida pelos presidentes do Uniãol, Antônio Rueda (a quem Mauro teria ascensão, mas é seguro pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que é pró Jayme) e pelo senador Ciro Nogueira (PP), interviessem nos diretórios estaduais de ambos os partidos para afastar a possibilidade de ruptura.

O ex-ministro, ex-senador, ex-governador e megaempresário Blairo Maggi (PP), em recente entrevista, alertou governador Otaviano Pivetta (Republicanos0 e o próprio Mauro Mendes sobre a necessidade de se construir um palanque com a participação de Jayme Campos, sob pena de a derrota rondar as perspectivas de vitória do grupo político.

Esse grupo, por sinal, está esfacelado pela desastrosa conduta político-partidária de Mauro Mendes, que teria usufruído do apoio de partidos aliados, como o MDB e o PL, em 2018 e em 2022, e depois entrou em rota de colisão com os mesmos, pois teria deixado de lado um projeto de Governo em busca da perpetuação no poder.

Em recente evento em Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá), a Norte Show, Jayme Campos almoçou com Pivetta, Mauro, o irmão Júlio Campos, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), entre outras autoridades, no dia 22. À tarde, receberiam o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL/RJ),

Mas, o cardápio, pelo jeito, não foi bem digerido. Jayme Campos reafirmou sua pré-candidatura ao Governo pelo União Brasil, na segunda-feira (27) pela manhã, mas, à tarde, o séquito de Mauro Mendes, por meio da empresária Margareth Buzetti (PP) – quenunca disputou uma eleição, a não ser como suplente de senadora -, manifestou pela imprensa a tendência da maioria da Federação União Progressista (FUP) caminhar no sentido da candidatura à reeleição do governador Pivetta.

Ambas as possibilidade podem acontecer. Rresta saber quais serão as consequências de uma ou de outra escolha; Pois, como o vivenciado em 2024, na disputa pela Prefeitura de Cuiabá, a candidatura do deputado Eduardo Botelho (então filiado ao União Brasil, hoje no MDB), foi desidratada pelo então governador do Estado, com entrevistas e criticas providenciais que esvaziaram o conteúdo da candidatura Botelho e do próprio partido.

Nesse caso, deu munição ao atual prefeito Abílio Brunini, que disputou o segundo turno contra o deputado estadual Lúdio Cabral (PT),que cresceu mais do que o atual prefeito, entre o primeiro e segundo turno, mas que não foi suficiente para lhe garantir a vitória.

Aliás, Eduardo Botelho migrou para o MDB e colocou em pratos limpos, numa entrevista, uma série de questiúnculas advindas do processo eleitoral de 2024 não digeridas por ele.

Abílio Brunini obteve 126.944 votos (ou 39,61%) no primeiro turno, contra 90.719 votos (28,31%) dados a Lúdio Cabral. No segundo turno, o atual prefeito foi eleito com 171.324 votos (53,80%) contra 147.127 votos (46,20%) dos votos ofertados pelo eleitor para o deputado do PT.

Entre o primeiro e o segundo turnos, a diferença de crescimento entre os eleitores foi de 44.380 votos (ou 14,19%) para Abílio contra 56.408 votos (17,89%) dos votos dados a Lúdio, que, entre as duas votações, obteve mais crescimento do que o atual chefe do Executivo Municipal.

Abílio, por sinal, tem retribuído o apoio recebido do Palácio Paiaguás com manifestações claras e inequívocas de que ele prefere a candidatura de Pivetta, em detrimento do senador Wellington Fagundes (PL), defendido como candidato do partido por Flávio Bolsonaro, em Sinop, na semana passada.

Certo mesmo é que a fragmentação da Federação União Progressista caminha para encomendar uma árdua decisão, não apenas em decidir por uma candidatura própria do senador Jayme Campos ou por uma coligação com Otaviano Pivetta, bem como quem vai conseguir unificar as correntes que foram preponderantes para a vitória de Mauro Mendes, em 2018.

Nunca é tarde para se lembrar que Pedro Taques, então senador, foi eleito governador de Mato Grosso em 2014 no palanque de Mauro Mendes, Otaviano Pivetta, Jayme Campos e Wellington Fagundes. Obteve 833.788 votos (57,25%), disputando justamente contra o petista Lúdio Cabral. que obteve 472.507 votos (32,45%).

Já em 2018, quatro anos depois, Mauro Mendes, Otaviano Pivetta, Jayme Campos, mais o PSD de Carlos Fávaro, o MDB de Carlos Bezerra e Janaina Riva entre outros partidos, estavam no mesmo palanque e garantiram a eleição de Mauro, com 840.094 votos (58,69%). Ou seja, apenas 6.306 votos a mais do que havia obtido Taques, quatro anos antes.

Nesta eleição de 2018, os brancos e nulos somaram 325.854 mil votos – 8,54% de eleitores que compareceram as urnas e não votaram em ninguém -, enquanto outros 572.006 (24,56%) sequer foram votar, em primeiro turno.

Logo, Mauro Mendes apenas repetiu em 2018 os votos que Pedro Taques fez com o apoio do mesmo grupo em 2014.

Naquele ano, o segundo mais votado foi Wellington Fagundes (então no PR), com 280.055 votos (19,56%),. Por isso, o percentual é maior que o dado para brancos e nulos, seguido ainda pelo então governador do Estado, o primeiro a disputar a reeleição no mandato e não ser reconduzido. Taques (então no PSDB) recebeu 271.952 votos (19%).

Essa complexa conta é maleável de acordo com o ânimo do eleitorado que pode tornar aqueles que hoje se encontram no Governo do Estado ou em busca de mandatos eletivos em derrotados, como nos processos eleitorais já presenciados em um passado recente.

Como quando Dante de Oliveira, o primeiro governador reeleito em Mato Grosso no exercício do cargo, após oito anos, deixou o mandato para disputar uma das duas vagas para o Senado e foi derrotado pelo megaempresário Blairo Maggi – o mesmo que recomendou aos aliados que construissem um palanque mais amplos com os aliados, sob pena de encontrarem muita dificuldade em enfrentar as urnas eleitorais, em outubro próximo.

Em tempo: a se manter o atual quadro, com quatro candidaturas de peso ao Governo do Estado – como do governador Otaviano Pivetta, dos senadores Jayme Campos e Wellington Fagundes (PL), que praticamente dividem o mesmo eleitorado, pois todos são de centro-direta, e a médica Natasha Slhessarenko (PSD) que é de centro-esquerda, Mato Grosso poderá quebrar um tabu eleitoral e realizar, pela primeira vez em sua recente história política moderna, um segundo turno para o Palácio Paiaguás.

A Constituição Federal de 1988, ao instituir a obrigatoriedade dos candidatos a cargos majoritários à Presidência da República, aos governos dos estados, às prefeituras das capitais e nas cidades com mais de 200 mil eleitores que obtivessem 50% dos votos válidos (desprezando os brancos, nulos e abstenções) mais um voto para se elegerem, não previu que Mato Grosso, em nenhuma das disputas desde 1990, deixou de eleger o chefe do Poder Executivo em primeiro turno.

Esse tabu, que pode ser quebrado nas eleições deste ano, torna ainda mais instável o quadro sucessório e acirra os ânimos entre adversários, aliados e partidos.





FONTE

Google search engine