A disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) coloca frente a frente deputados que tentam permanecer no cargo, ex-prefeitos, vereadores, ex-secretários, empresários, produtores rurais e candidatos que chegam pela primeira vez a uma eleição estadual.
Um raio-X das declarações entregues à Justiça Eleitoral mostra que as diferenças entre os concorrentes também aparecem no patrimônio. Há candidatos com bens de dezenas de milhões de reais, enquanto outros informam valores reduzidos ou nenhuma propriedade.
Entre os nomes já analisados pelo DIÁRIO, o deputado Júlio Campos (União Brasil) aparece em posição de destaque, com patrimônio de aproximadamente R$ 31,5 milhões.
A declaração reúne imóveis urbanos e rurais, investimentos e outros ativos acumulados ao longo de uma trajetória que inclui mandatos de prefeito de Várzea Grande, governador, senador e deputado federal, além da atual cadeira na Assembleia.
Júlio também é um dos parlamentares do União Brasil que chegam à eleição tentando renovar o mandato. Na mesma situação estão Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende, que também aparecem entre os maiores patrimônios da chapa do partido.
MORETTO TEM R$ 8,3 MILHÕES – No Republicanos, o maior patrimônio entre os nomes já levantados é o do deputado Valmir Moretto, com aproximadamente R$ 8,3 milhões.
A declaração é composta principalmente por imóveis e bens ligados à atividade rural.
Moretto busca o terceiro mandato consecutivo na Assembleia e terá uma disputa interna particularmente competitiva.
O Republicanos reúne outros parlamentares com mandato, entre eles Nininho, Diego Guimarães e Doutor Eugênio, além de candidatos que chegam à eleição com passagem pelo Executivo estadual e por prefeituras.
Nininho aparece logo atrás de Moretto em patrimônio dentro da legenda, com cerca de R$ 6 milhões em bens declarados.
A competição dentro das próprias chapas será um dos elementos centrais da eleição proporcional. Não basta ao candidato ter votação individual expressiva: o desempenho do partido ou federação também interfere diretamente na distribuição das cadeiras.
WILSON MULTIPLICA PATRIMÔNIO – Entre os candidatos que permitem comparação com eleições anteriores, um dos casos que mais chamam atenção é o do deputado Wilson Santos (PSD).
O parlamentar declarou aproximadamente R$ 3,75 milhões em 2026.
Em 2022, quando conquistou novo mandato na Assembleia, havia informado cerca de R$ 468 mil.
A diferença supera R$ 3,28 milhões.
O patrimônio atual é aproximadamente oito vezes o declarado quatro anos atrás.
A principal mudança está na inclusão de imóveis e outros ativos que não apareciam com o mesmo peso na relação anterior.
O caso de Wilson mostra por que a análise patrimonial não deve se limitar a uma relação dos candidatos mais ricos. A comparação entre eleições permite identificar transformações muito mais expressivas que a posição ocupada no ranking absoluto.
UNIÃO TEM VETERANOS MILIONÁRIOS – A chapa do União Brasil apresenta outra característica: alguns dos candidatos mais conhecidos e de maior patrimônio são justamente deputados que já ocupam cadeira na Assembleia.
Além de Júlio Campos, Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende tentam renovar os mandatos.
Os três aparecem entre os maiores patrimônios da chapa do partido e possuem declarações que incluem propriedades rurais, terrenos, imóveis, aplicações financeiras e outros ativos.
O grupo terá de dividir votos não apenas com candidatos novos, mas com nomes que já exerceram cargos eletivos ou funções de destaque no Estado.
Isso transforma a eleição de 2026 numa disputa simultânea em dois níveis: contra candidatos de outras legendas e dentro da própria chapa.
PODEMOS APOSTA EM BANCADA MAIOR – Situação semelhante ocorre no Podemos.
Presidido em Mato Grosso pelo presidente da Assembleia, Max Russi, o partido chega à eleição com o projeto de ampliar significativamente sua representação na Casa.
Além de Max, integram o grupo parlamentares como Beto Dois a Um e Fábio Tardin, além de ex-prefeitos e outras lideranças regionais. O partido passou por forte expansão antes da eleição, incorporando prefeitos, vice-prefeitos e deputados.
A composição torna a chapa uma das que devem concentrar maior atenção na distribuição das 24 vagas.
Max já anunciou que esta será sua última disputa para deputado estadual e que pretende construir um projeto para concorrer a cargo majoritário em 2030.
REELEIÇÃO É UMA DISPUTA À PARTE – A presença de tantos parlamentares buscando permanecer no Legislativo cria uma eleição particular dentro da própria eleição.
Dos atuais deputados, parte significativa volta às urnas.
Há nomes consolidados regionalmente, como Moretto no Oeste; Nininho na região Sul; Wilson Santos e outros parlamentares com forte presença em Cuiabá; além de deputados ligados às regiões Norte, Médio-Norte e Araguaia.
Ao mesmo tempo, as chapas receberam ex-prefeitos, vereadores e ex-secretários que chegam com bases eleitorais próprias.
O Podemos, por exemplo, incorporou lideranças municipais e trabalha com a expectativa de formar uma das maiores bancadas da próxima legislatura. O Republicanos também montou uma chapa com vários detentores de mandato e projetava pelo menos três cadeiras.
PATRIMÔNIO NÃO GARANTE VAGA – A presença de candidatos milionários não significa, porém, vantagem automática nas urnas.
Patrimônio pessoal e recursos disponíveis para campanha são coisas diferentes.
Os candidatos estão submetidos a limites de gastos e podem receber recursos dos fundos partidário e eleitoral, além de doações permitidas pela legislação e recursos próprios dentro das regras estabelecidas.
Da mesma forma, o valor declarado ao TSE não corresponde necessariamente ao preço atual de mercado dos bens.
Imóveis rurais e urbanos adquiridos há muitos anos, por exemplo, podem permanecer registrados por valores históricos muito inferiores aos atuais.
Por isso, uma propriedade declarada por determinado valor não significa que poderia ser vendida atualmente pelo mesmo montante.
MUDANÇA NÃO SIGNIFICA ENRIQUECIMENTO – A mesma cautela é necessária quando se compara o patrimônio de 2022 com o de 2026.
O aumento do valor declarado não pode ser tratado automaticamente como renda ou enriquecimento ocorrido durante o mandato.
Compra e venda de imóveis, heranças, reorganizações societárias, aplicações financeiras e mudanças na forma de declaração podem alterar significativamente o total informado.
O dado eleitoral permite afirmar quanto mudou o patrimônio declarado pelo candidato, mas não estabelecer sozinho a origem econômica dessa mudança.
É justamente nesse ponto que surgem algumas das histórias mais interessantes da base do DivulgaCand.
Wilson Santos, por exemplo, chega à eleição com patrimônio muito superior ao declarado quatro anos atrás.
Outros candidatos apresentam movimentos mais discretos ou até redução.
24 CADEIRAS EM JOGO – A Assembleia Legislativa possui 24 cadeiras, e a eleição não será decidida simplesmente pelos 24 candidatos individualmente mais votados.
Assim como ocorre na Câmara Federal, a distribuição das vagas segue o sistema proporcional.
Os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas são somados para determinar inicialmente quantas cadeiras cada partido ou federação poderá conquistar.
Só depois dessa divisão entra a votação individual para definir quem ocupará as vagas obtidas pela legenda.
Por isso, a montagem das chapas tem peso estratégico.
Um partido carregado de candidatos fortes pode produzir votação suficiente para conquistar várias cadeiras, mas também cria uma disputa interna intensa. Em uma legenda menos competitiva individualmente, um candidato bem votado pode enfrentar dificuldade se o conjunto da chapa não atingir desempenho suficiente.
PATRIMÔNIOS REVELAM PERFIS DIFERENTES – Os primeiros dados analisados mostram também que não existe um único perfil econômico entre os candidatos.
Há fortunas concentradas em propriedades rurais e empresas, patrimônios formados principalmente por imóveis urbanos, candidatos com grande volume de aplicações financeiras e outros com poucos bens declarados.
Entre alguns dos nomes de maior patrimônio já identificados estão Júlio Campos, com cerca de R$ 31,5 milhões; Valmir Moretto, com R$ 8,3 milhões; e Nininho, com aproximadamente R$ 6 milhões.
Wilson Santos, com R$ 3,75 milhões, chama atenção menos pela posição absoluta e mais pela evolução em relação à eleição passada.
São dois retratos diferentes da mesma eleição: quanto cada candidato possui e quanto esse patrimônio mudou.
A disputa pelas 24 vagas da Assembleia começa, assim, com um conjunto heterogêneo de candidatos: veteranos tentando sobreviver a mais uma eleição, novos nomes apoiados por estruturas municipais, patrimônios milionários e concorrentes com declarações modestas.
Nas urnas, porém, todos dependerão da combinação entre votação individual e desempenho das chapas para transformar candidatura em mandato.





