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é hora de comprar ou fugir de vez da ação após balanço “feio”?


O balanço do primeiro trimestre do Banco do Brasil (BBAS3) trouxe números que confirmaram os temores do mercado. Com o lucro líquido ajustado amargando uma queda de 53% em relação ao mesmo período do ano passado, fechando em R$ 3,4 bilhões, a estatal lida com os reflexos da alta inadimplência, especialmente no agronegócio.

O cenário, somado à revisão negativa das projeções de lucro para o restante do ano, faz investidores se perguntarem se o resultado é motivo de fuga, ou se vale a pena comprar ações do Banco do Brasil após desvalorização de quase 25% desde o pico do ano, em fevereiro. O InfoMoney consultou especialistas que acompanham a empresa para saber a resposta. 

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Peso do agro e queda no lucro

A avaliação geral sobre o resultado trimestral é de frustração, ainda que não houve grandes surpresas. A grande vilã segue sendo a inadimplência. “O resultado não é bom”, diz Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. “A inadimplência cresceu em várias pontas e a judicialização do banco em relação aos seus devedores dobrou.”

Lucas Cavalcante, fundador da Gus Consultoria Financeira, explica que o problema central continua sendo o agronegócio, setor que acumula um número elevado de recuperações judiciais. “O custo do crédito subiu mais de 85% na comparação anual, chegando a R$ 18,9 bilhões num único trimestre. Isso, por si só, resume a dificuldade que o banco está enfrentando”, aponta. 

Apesar disso, ele destaca que a máquina de geração de receita funciona, já que a margem financeira bruta cresceu 14,8%, mas o custo de crédito está absorvendo boa parte do que é gerado.

Há, no entanto, quem veja uma luz no fim do túnel. Malek Zein, analista de Ações da Suno Research, concorda que o resultado “foi feio”, mas aponta que é possível ver “os primeiros sinais de vida no resultado do Banco do Brasil, na qualidade da carteira”. Zein destaca quedas na inadimplência de 30 e 90 dias, além da redução de novos atrasos.

Tombo no guidance e tese de investimento

Além do retrato do primeiro trimestre, a projeção do que vem pela frente decepcionou. O banco revisou para baixo seu guidance (projeção) de lucro para 2026, passando de uma faixa de R$ 22 bi a R$ 26 bi para R$ 18 bi a R$ 22 bi.

“Na prática, o piso anterior virou teto. Isso é um sinal importante. O banco reconhece que a deterioração da carteira agro é mais intensa e prolongada do que o que foi originalmente projetado”, avalia Cavalcante. Ele avalia que isso afeta diretamente a tese de BBAS3, que “nunca foi uma ação que se comprava por momentum, mas por previsibilidade de lucro e dividendos consistentes”.

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Ruy Hungria, analista da Empiricus, ressalta que essa revisão do guidance “tende a impactar negativamente as projeções do mercado”. Felipe Sant’Anna é ainda mais cético quanto ao momento, alertando que os problemas de inadimplência voltaram “com uma magnitude ainda mais intensa”. Ele também cita o “braço estatal” como um ponto de atenção em ano eleitoral.

Quando comparado aos seus pares privados, o BB fica para trás, na visão dos analistas. Hungria lembra que o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) do BB no 1T26 foi de apenas 7,3%, contra 24,8% do Itaú. “Não vemos essa tendência sendo revertida tão cedo”, diz o analista da Empiricus. 

Cavalcante concorda: “o Itaú segue operando com ROE acima de 23%, inadimplência controlada e crescimento consistente de lucro. O BB tem uma exposição estrutural ao crédito rural que os privados simplesmente não têm na mesma proporção.”

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Vale a pena investir em BBAS3 agora?

A recomendação dos especialistas é não comprar ações do banco agora e aguardar sinais mais claros de recuperação.

“Na Empiricus, não temos recomendação de compra para BBAS3 por conta da tendência negativa de resultados nos últimos trimestres e números que ainda devem continuar pressionados por mais algum tempo”, diz Ruy Hungria. Ele afirma preferir a “consistência e previsibilidade” do Itaú agora.

Felipe Sant’Anna também não vê a ação com bons olhos. “Para os amantes de bancos dentro da carteira, eu acho que o Banco do Brasil não é uma boa opção nesse momento”, diz, alertando que o ganho com dividendos não compensa o risco de perda no valor da ação. “Não adianta ganhar 1% de dividendo e perder 2% a 5% no valor do papel, o investidor vai ficar no prejuízo”.

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Lucas Cavalcante pede para o investidor não se iludir com a ação barata. “O que falta, hoje, é clareza sobre o ponto de inflexão. Entrar antes de ver sinais mais concretos de estabilização da inadimplência é aceitar um risco de timing elevado”. 

Para ele, a antiga tese de altos dividendos do BB “não existe mais, pelo menos não neste ciclo”. Se for para entrar no papel, o investidor deve assumir uma “tese de valor”, acreditando na recuperação do agro e do banco a longo prazo. “Essa tese exige horizonte longo, tolerância à volatilidade e aceitação de que o processo pode ser mais demorado do que o esperado”, afirma.

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Na contramão do pessimismo, Malek Zein, da Suno, mantém uma visão mais otimista com base em uma projeção de melhora na qualidade do crédito. “A gente sai construtivo com o Banco do Brasil”, finaliza, embora reconheça que a recuperação não será rápida.



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