O duro discurso do senador Jayme Campos (União Brasil) contra o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), nesta quarta-feira (12), no Senado, provocou manifestações de apoio de dois personagens importantes da disputa eleitoral em Mato Grosso.
São os senadores Carlos Fávaro (PSD) e Wellington Fagundes (PL).
Leia também:
Jayme pede perdão por apoiar Mauro e cobra investigação de R$ 308 mi
Júlio ironiza grupo de Mauro, após derrota de Jayme e cita Caso Oi
Em apartes, durante o pronunciamento, os dois defenderam o prosseguimento das investigações relacionadas à Operação Heritage e fizeram gestos públicos de solidariedade política a Jayme, que tentou disputar novamente o Governo do Estado, mas não conseguiu viabilizar a candidatura na convenção do União Brasil.
Fávaro afirmou estar triste por Mato Grosso voltar ao noticiário nacional em razão de uma operação policial envolvendo denúncias graves.
Ao mesmo tempo em que ressaltou a necessidade de preservar o direito de defesa dos investigados, cobrou que os fatos sejam esclarecidos.
“Defendo o pleno direito de defesa, o amplo direito de defesa, mas que nada fique encobertado. O povo mato-grossense não merece passar por mais essa tristeza”, afirmou.
A Operação Heritage investiga suspeitas relacionadas ao acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a telefônica Oi e à posterior movimentação desses recursos.
A investigação está em andamento, e as suspeitas levantadas pela Polícia Federal ainda não representam condenação dos investigados.
FÁVARO FAZ ACENO A JAYME – O aparte de Fávaro ganhou também uma dimensão eleitoral.
O senador evitou entrar diretamente na disputa interna que impediu Jayme de concorrer ao Governo pelo União Brasil, mas lamentou que o colega tenha ficado fora da eleição.
Fávaro lembrou que Jayme chegou à convenção como pré-candidato competitivo e próximo dos primeiros colocados nas pesquisas eleitorais.
“Não vou entrar no mérito da discussão partidária, da discussão que foi feita no âmbito das convenções lá no Estado de Mato Grosso”, afirmou.
Em seguida, porém, afirmou que Jayme foi um dos protagonistas da fase de pré-campanha.
Lamentou que não tenha recebido de seu partido a oportunidade de disputar novamente o Palácio Paiaguás.
O senador do PSD também recuperou realizações dos governos de Jayme para justificar o reconhecimento político.
Fávaro citou especificamente a expansão da infraestrutura de transmissão de energia para o Norte de Mato Grosso.
Natural de Lucas do Rio Verde (345 km ao Norte de Cuiabá), lembrou das dificuldades enfrentadas pela região antes da implantação de linhas de transmissão e atribuiu a Jayme papel importante naquele processo.
No encerramento do aparte, fez seu gesto político mais explícito:
“Mas não desista. Mato Grosso precisa muito do senhor e da sua família e nós estaremos sempre juntos”, declarou.
A manifestação chama atenção porque ocorre em meio à reorganização das forças políticas para a eleição estadual.
Fávaro está em campo político distinto daquele ocupado por Jayme durante boa parte dos últimos anos, e não vinculou sua manifestação a qualquer composição eleitoral.
“NÃO VENHAM DIZER QUE É ELEITOREIRA” – O aparte de Wellington Fagundes foi mais longo e concentrou-se principalmente nas investigações.
Candidato ao Governo pelo PL, Wellington recuperou a passagem do ex-governador Pedro Taques por uma comissão parlamentar no Senado, quando foram apresentadas denúncias envolvendo operações financeiras que posteriormente passaram a integrar discussões relacionadas ao Caso Oi.
Wellington afirmou que, naquela ocasião, alertou Taques de que o espaço não poderia ser transformado em palanque eleitoral e cobrou documentos que sustentassem as acusações apresentadas.
Segundo ele, o material acabou encaminhado aos órgãos responsáveis pela investigação.
Agora, com a Operação Heritage em andamento, Wellington sustentou que as apurações não podem ser apresentadas como consequência da atual disputa eleitoral.
“E não venham dizer que isso é denúncia apenas eleitoreira, porque isso foi feito lá atrás. E nós nunca acusamos. Nós só pedimos as investigações”, declarou.
A afirmação confronta diretamente um dos argumentos utilizados por Mauro Mendes depois da deflagração da Heritage. O ex-governador tem sustentado que a operação passou a ser explorada politicamente na campanha eleitoral e defende a legalidade do acordo firmado com a Oi.
Wellington argumentou que a proximidade da eleição não pode impedir a atuação dos órgãos de investigação.
“Não vir alguém amanhã dizer que é inoportuno fazer uma investigação em período eleitoral. Como se alguém roubar durante a campanha não pudesse ser investigado. Isso é um absurdo”, afirmou.
Apesar do tom duro, o senador ressaltou que não cabe aos políticos determinar culpa.
“Acusar e principalmente julgar não é papel nosso. Julgar não é papel nosso. Cada Poder tem o seu papel”, disse.
COBRANÇA POR RAPIDEZ – Wellington também cobrou rapidez na conclusão das investigações justamente porque Mato Grosso já está em período eleitoral.
Segundo ele, prolongar a indefinição pode contaminar a campanha e deixar sem resposta questionamentos feitos anteriormente aos órgãos de controle.
O senador citou o procurador-geral da República e lembrou que participou, como integrante do Senado, da sabatina e votação para sua recondução.
Afirmou que espera o cumprimento do papel institucional do Ministério Público e dos demais órgãos responsáveis pela apuração.
Wellington também mencionou as investigações envolvendo empréstimos consignados de servidores públicos e voltou a citar Pedro Taques, que atuou na apuração do caso.
Em determinado momento, o senador afirmou que fatos estariam “comprovados” pela Polícia Federal.
A afirmação, contudo, deve ser entendida como manifestação política feita por Wellington: a Operação Heritage ainda está em fase investigativa e não existe decisão judicial definitiva estabelecendo responsabilidade criminal dos investigados.
AUSÊNCIA DE JAYME – Assim como Fávaro, Wellington dedicou parte de seu aparte à exclusão de Jayme da corrida pelo Governo.
O candidato do PL lembrou que os dois iniciaram suas trajetórias políticas no mesmo período e afirmou que defendia uma eleição com maior número de concorrentes.
Segundo Wellington, Jayme deveria ter tido a possibilidade de apresentar seu nome ao eleitor.
Ele afirmou que gostaria de enfrentá-lo “no embate eleitoral” e nos debates para que a população pudesse escolher o próximo governador.
As manifestações de Fávaro e Wellington deram ao pronunciamento de Jayme uma dimensão que ultrapassou o rompimento entre o senador e Mauro Mendes.
Os três parlamentares não anunciaram qualquer aliança e continuam inseridos em projetos políticos distintos
. Mas, durante a sessão desta quarta-feira, convergiram em dois pontos: a defesa do aprofundamento das investigações da Operação Heritage e o reconhecimento político de Jayme depois de sua exclusão da disputa pelo Governo.
Veja vídeos:





