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Geólogo vê ‘desastre’ de R$ 12 milhões em obra sem fim na MT-251


Reprodução/João Vieira e TV Vila Real

Para o geólogo Caiubi Kuhn (detalhe) a situação extrapola os custos da obra em si e envolve uma série de despesas adicionais, no Portão do Inferno, na MT-251

O geólogo Caiubi Kuhn criticou a condução das obras no Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

Para ele, a intervenção realizada pelo Governo do Estado, e que já dura dois anos, é “um desastre”.

Kuhn afirmou que a situação extrapola os custos da obra em si e envolve uma série de despesas adicionais para manter o local em funcionamento e monitoramento constante, com quatro oficiais em plantão. 

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Professor da UFMT, o geólogo é pré-candidato a governador de Mato Grosso pelo PDT.

“Ali foi um desastre a condução realizada. Nós temos mais de dois anos e, até agora, não se resolveu nada. Foi gasto muito dinheiro. O Portão do Inferno tem muito mais policiamento do que muita cidade do interior de Mato Grosso. Tem lugares em que não vai ter a mesma atenção da polícia. Isso só para dizer que não trata só da obra. Trata de outros recursos públicos que estão ali”, afirmou, em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, da TV Vila Real (Record), na quarta-feira (3).

O pré-candidato destacou que os recursos empregados no local poderiam estar sendo direcionados para outras demandas da população.

E defendeu maior diálogo entre os órgãos responsáveis, antes da execução de obras consideradas complexas.

Caiubi Kuhn disse que decisões desse porte devem envolver “técnicos especializados, órgãos licenciadores e instituições competentes, de forma a construir soluções consensuais e tecnicamente viáveis”. 

Sobre o polêmico projeto de retaludamento – uma técnica de terraplenagem que altera a inclinação do terreno, apresentado pelo Governo e, depois, abandonado -, o pré-candidato afirmou que estudos técnicos já apontavam dificuldades para a execução da proposta, desde o início. 

“Foram feitos estudos técnicos que indicavam que a obra do retaludamento era impossível de ser realizada. E é importante dizer que aquela obra não ficou paralisada um dia sequer. Foram gastos ali quase R$ 12 milhões, só no valor da obra. E isso sem contar os outros contratos, os gastos da Polícia Militar e da fiscalização”, declarou. 

Kuhn foi questionado sobre o projeto da MT-030, apontado pelo Palácio Paiaguás como uma alternativa de ligação entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

Disse que as informações divulgadas sobre a redução da distância entre os municípios “não correspondem à realidade”. 

“Não é verdade que a MT-030 reduz em 30 quilômetros a distância entre Cuiabá e Chapada. O percurso discutido fica perto de 54 quilômetros. O governo do Estado tinha que apresentar esses números para a população. Quanto vai custar a MT-030? Quanto tempo vai demorar para fazer a subida da serra? Isso precisa ser compartilhado com a sociedade”, afirmou. 

O pré-candidato defendeu que o Governo precisa priorizar investimentos voltados à melhoria da qualidade de vida da população, com foco em educação, geração de renda e redução das desigualdades sociais. 

E completou: “Mato Grosso hoje precisa de soluções para a população mais pobre. Precisa de mais igualdade e de oportunidade para todo mundo. Eu acho que é esse o tipo de debate que a gente tem que trazer hoje para a população. Tem que trazer para a população que o Estado é um Estado rico e com muitos recursos. Agora, o que a gente vai fazer com esse recurso? O que a gente vai priorizar? Para mim, é muito claro. Tem que priorizar a qualidade de vida, educação, ciência e geração de renda”.

TÚNEL E RETADULAMENTO – Em maio passado, a licitação para a obra de construção de um túnel na região do Portão do Inferno não teve nenhuma empresa vencedora.

O Consórcio TB-ETEL foi inabilitado pela Comissão de Licitação da Sinfra-MT.

O principal motivo segundo a Sinfra, é que o consórcio não cumpriu os requisitos de qualificação econômico-financeira que estavam previstos no edital, especialmente o índice de Liquidez Geral que ficou abaixo do exigido.

Em fevereiro, a 8ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Mato Grosso extinguiu Ação Civil Pública (ACP) que questionava a obra de retaludamento no Portão do Inferno.

Movido pelo Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério do Estado (MP-MT), o processo pedia a suspensão do corte do paredão no local.

A extinção ocorreu sem análise do mérito, após o Estado informar nos autos que o projeto, apontado inicialmente como solução para resolver os problemas de deslizamentos de terra registrados durante o período de chuvas, foi substituído pela construção do polêmico túnel.





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